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sábado, 29 de novembro de 2025

Quem conta um conto merece quanto? De quem partiu a mentira?


NUMA cidade, dois homens num carro atravessaram um cruzamento. O sinal estava verde, mas foram detidos por um guarda de trânsito, que lhes perguntou: “Por que ultrapassaram o sinal vermelho?” Ambos os homens negaram tê-lo feito. Mas, o guarda disse: “Estão me dizendo que não enxergo?” E começou a preencher um talão de multa. O motorista respondeu baixinho: “Há Alguém lá em cima que sabe o que o senhor está fazendo.” O guarda hesitou . . . e foi embora.
Sim, o policial estava mentindo. É isso surpreendente? Dificilmente. A mentira está profundamente arraigada na sociedade humana. Como amiúde se diz: “Conte a mentira um número suficiente de vezes, e as pessoas acreditarão nela.” Muitos políticos parecem concordar com isso, e, no conceito de muitos, a política está intimamente associada à mentira.
As pessoas mentem por todo o tipo de motivo. Certo cristão (sério), que estivera desempregado durante algum tempo, candidatou-se a um emprego numa firma comercial. Mas, o gerente advertiu-o: “Para vender meus produtos, terá de saber mentir melhor do que os outros!” O cristão recusou o emprego.
Mesmo pessoas religiosas, que não se apegam às normas piedosas, recorrem à mentira.
Líderes religiosos judaicos, quando ouviram que o executado Jesus de Nazaré fora ressuscitado subornaram os soldados que guardavam o túmulo de Jesus para dizer: “Seus discípulos vieram de noite e o furtaram, enquanto estávamos dormindo”.
Contudo, parece que mentir não é natural dos humanos. O dr. Lewis Thomas escreveu: “Segundo entendo, o ser humano não é capaz de contar uma mentira, mesmo pequena, sem acionar uma espécie de alarme brumoso no fundo dum lóbulo escuro do cérebro, resultando na descarga repentina de impulsos nervosos, ou na secreção repentina de neuro-hormônios de algum tipo . . . Mentir, portanto, provoca tensão, mesmo quando o fazemos para obter proteção, alívio, escape, ou lucro.” (Discover, dezembro de 1980) São tais reações físicas que acionam o detector de mentiras.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Quem conta um conto merece quanto? Por que ser honesto?


‘SER honesto neste mundo é ser um homem dentre dez mil.’ Assim escreveu William Shakespeare há mais de trezentos anos atrás. Desde então, o respeito do público pela honestidade e seu valor não mostrou nenhuma melhora. Conforme provavelmente sabe, isto se dá também entre os jovens. Por que se dá tão pouco valor à honestidade?
A maioria das pessoas hoje não acha que tenha sentido dizer sempre a verdade. Muitos negociantes afirmam que não poderiam competir com bom êxito sem um pouco de desonestidade. Diariamente vemos propaganda que exagera ou descreve os artigos enganosamente. Embora os líderes políticos tenham o sério encargo de cuidar do bem-estar geral do público, a maioria das pessoas considera suas palavras amiúde como indignas de confiança.
Ao verem tanta desonestidade entre os adultos, os jovens muitas vezes adotam o mesmo proceder. Na escola, muitos colam nas provas ou gazeteiam as aulas sob falso pretexto. Diante dos amigos, talvez se gabem e jactem, e de outro modo apresentem quadros falsos do que são ou do que fizeram. No lar, talvez enganem até mesmo os seus pais — respondendo a perguntas sobre sua conduta com meias verdades, ocultando os fatos por frasearem sua resposta para causar uma impressão inteiramente diferente da verdadeira. Quando seus pais, ou outros corretamente interessados no seu bem-estar, procuram saber o que pensam sobre a imoralidade, os entorpecentes ou outras coisas similares, talvez os “tapeiem” para encobrir os fatos, dizendo o que acham que seus interrogadores querem ouvir, não necessariamente a verdade a respeito do que realmente pensam. Para obter dinheiro ou permissão de fazer algo, talvez “amoleçam” o progenitor com afeto insincero ou com adulação.
É realmente estranho que tantos jovens insistam hoje em que os outros ‘lhes digam as coisas assim como são’, quando eles mesmos gastam muito tempo em ‘dizer as coisas como não são’. Contudo, muitos se acham justificados em fazer isso. Por quê? Ora, é verdade que seus pais talvez lhes ensinem que é errado mentir. Mas, podem ver seus próprios pais deturpar os fatos, a fim de se safarem duma situação desagradável ou para evitarem pagar certas contas, dívidas ou impostos. Alguns pais até mesmo usam seus filhos para mentir por eles em dar desculpas.
Onde prevalecem condições assim, que incentivo há para os jovens — ou para qualquer um de nós — de se esforçar a ser honesto em todas as coisas?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Quem conta um conto merece quanto? / O menino, o burro e o cachorro

Um menino foi buscar lenha na floresta com seu burrico e levou junto seu cachorro de estimação.
Chegando no meio da mata, o menino juntou um grande feixe de lenha, olhou para o burro, e exclamou:
- Vou colocar uma carga de lenha de lascar nesse burro!
Então o Jumento virou-se para ele e respondeu:
- É Claro, não é você quem vai levar!
O Menino muito admirado com o fato de ter o burro falado, correu e foi direto contar tudo ao seu pai. Ao chegar em casa, quase sem fôlego, ele disse:
- Pai, eu estava na mata juntando lenha e depois de preparar uma carga para trazer, e quando eu disse que ia colocá-la na garupa do burro, acredite se quiser, ele se virou para mim e disse: "É Claro, não é você quem vai levar!"
O Pai do menino, olhou-o de cima para baixo, e meio desconfiado repreendeu ele:
Você está dando para mentir agora. Onde já se viu tal absurdo, animais não falam!
Nesse momento, o cachorro que estava ali presente, saiu em defesa do garoto e falou:
Foi verdade, eu também estava lá e vi tudinho!
Assustado o pobre camponês, julgando que o animal estivesse endiabrado, pegou um machado que estava encostado na parede e o ergueu para ameaçá-lo.
Nesse momento, aconteceu algo ainda mais curioso. O machado começou a tremer em suas mãos, e de dentro dele saiu uma voz que soava temerosa:
O senhor tenha cuidado, esse cachorro pode me morder!
Nota: Conto popular no Nordeste sendo de origem desconhecida.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Quem conta um conto merece quanto? / Tem Bil e gosto pra tudo

Eu conheço um camarada que tem tudo para dar certo na vida: inteligente de boa família, formado em administração, atualizado, sempre bem informado, um sujeito boa pinta de bom gosto, etc. Tem um pequeno problema, a bebida. De dia um doce. De noite, vira o cão chupando limão. O sujeito é a personificação do porre. Ninguém é capaz de prever como ele vai se portar numa festa, por exemplo, se vai ser gentil ou se via promover aquele tumulto e acabar com a festa e/ou preso.
Até aqui nada de mais: um cara que bebe e vira um chato isso não é novidade para ninguém. Só que o nosso personagem tem um diferencial. Quando você ameaça sair fora, ele se ajoelha e jura por Deus que vai largar a bebida. Eu sei que isso também não é novidade. Acontece que o nosso personagem (vamos chamá-lo de Bil), sempre depois de um porre realmente faz de tudo para não beber mais e sempre está decidido a mudar de vida. Eu testemunhei uma passagem na vida do Bil que contando parece mentira. Foi quando depois que ele tomou um bom chá de sumiço (sem álcool) e ninguém sabia nada dele.
Eu estava no Parque Paulista em Duque de Caxias (eu troco o nome, mas não troco o bairro da vítima) providenciando alguma coisa para o jornal quando eu vi do outro lado da rua um cara que pulava, acenava e gritava o meu nome. Quem era? O Bil. Ele atravessou a pista veio ao meu encontro nos abraçamos, e blá, blá, blá. Notei que ele estava sóbrio e com uma aparência pra lá de diferente. Esperei para que ele me contasse as novidades e ele começou:
- Larguei a bebida e agora eu sou outra pessoa. Estou tendo um pouco de dificuldades para me adaptar, mas eu não desisto.
Eu queria saber se ele estava namorando ou se tinha casado ou alguma coisa assim quando ele respondeu:
- Eu conheci uma moça, mas não deu certo porque ela era bonitinha demais. Tinha os traços todos perfeitinhos e seios maravilhosos. Ela sempre vestia uma camiseta quase justa, calça jeans e botinha. Ela é o sonho de consumo de qualquer adolescente e de alguns coroas também, mas não deu certo.
Claro que eu fiquei curioso e perguntei por que não deu certo? Do jeito que ele a descreveu era um avião!
- Um avião com certeza, falou Bil, mas muito diferente da pessoa que eu estava precisando encontrar. Totalmente ao contrário. Se eu quisesse conversar sobre a nossa relação ou falar sobre o meu novo emprego ela saia correndo na hora. Casamento? Filhos? Jamais, em tempo algum. Eu não podia nem pronunciar tais palavras. Filme de arte? Eu podia esquecer! A mulher é chique. Sua segunda casa é em Nova York. No reveillon ela fica entre Nova York e Paris. Segue uma dieta super-balanceada, toma pílulas pra não envelhecer. É aquela mulher que você vê correndo, toda saudável, quando o dia nem amanheceu direito.
Eu cá com os meus botões: tem alguma coisa estranha nisso que eu ainda não consegui detectar. O Bil prosseguiu dizendo:
- Eu preciso de uma mulher que me complete, todo homem anda a procura de uma mulher que o complete.
Eu queria saber que tipo de mulher o completaria, só por curiosidade, o Bil respondeu:
- Eu quero uma mulher tipo chicletão, que goste de ficar ali grudada, que não consiga ficar sozinha um minuto. Eu quero uma mulher do tipo que seria capaz de se apaixonar pela voz da máquina de recolher bilhete no estacionamento do shopping. Eu quero uma mulher do tipo que fique desconsolada a partir do momento que abre a sua caixa de e-mail e não encontra nenhuma mensagem. Esse é o tipo de mulher que me completaria.
Olhei bem para o Bil para me certificar se ele estava realmente sóbrio, sim porque depois dessa eu fiquei na dúvida. Foi aí que eu comecei a entender o que ele queria dizer quando me falou que estava com dificuldades para se adaptar a sua nova vida. Eu juro que me deu vontade de convidar o Bil para beber alguma coisa, mas resolvi deixar pra lá.

(Huayrãn Ribeiro)