Campinarte Notícias e Músicas

Arquivo do blog

ESTE BLOG É INDEPENDENTE - NÃO RECEBE (E NEM QUER) SUBVENÇÃO DE QUALQUER PREFEITURA, GOVERNO DE ESTADO E MUITO MENOS DO GOVERNO FEDERAL - NÃO SOMOS UMA ONG OU FUNDAÇÃO, ASSOCIAÇÃO OU CENTRO CULTURAL E TAMBÉM NÃO SOMOS FINANCIADOS POR NENHUM PARTIDO POLÍTICO OU DENOMINAÇÃO RELIGIOSA - NÃO SOMOS FINANCIADOS PELO TRÁFICO DE DROGAS E/OU MILICIANOS - O OBSERVATÓRIO COMUNITÁRIO É UMA EXTENSÃO DO CAMPINARTE DICAS E FATOS - INFORMAÇÃO E ANÁLISE DAS REALIDADES E ASPIRAÇÕES COMUNITÁRIAS - GRATO PELA ATENÇÃO / HUAYRÃN RIBEIRO

Vídeos

Notícias principais - Google Notícias

Mostrando postagens com marcador De volta no tempo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador De volta no tempo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 21 de abril de 2026

Inconfidência Mineira - Conjuração Mineira


Por Igor Gomide dos Santos

Desde o final do séc. XVII, as tensões entre o Brasil colônia e a metrópole Portugal se multiplicaram, pelos interesses cada vez mais conflitantes entre si. Essa crise de interesses, aliada ao desequilíbrio político europeu (as Guerras Napoleônicas, que propiciaram a vinda da família real portuguesa ao Brasil) gerou diversos movimentos que pregavam a separação brasileira da metrópole.

Causas da Conjuração Mineira

Um desses movimentos foi a Inconfidência Mineira, que estourou em 1789.
Já na metade do séc. XVIII, com a dificuldade enfrentada por capitania das Minas Gerais para pagar os tributos (devido à decadência da produção de minérios), o governo português reagiu violentamente, obrigando parte da população a entregar seus bens como pagamento das dívidas – uma medida nem um pouco popular.
Com os ânimos exaltados, e descontentes com a metrópole, que ainda cobrava altos impostos por mercadorias importadas (além da proibição de nativos adquirirem altos cargos administrativos, reservados aos portugueses, entre uma série de imposições que dificultavam o desenvolvimento da sociedade e economia colonial), um grupo de revolucionários (alguns inclusive recém-chegados da Europa) começou a se reunir em Vila Rica, planejando uma conspiração (Revolta de Felipe dos Santos).

Dentre os mais ativos, temos Tomás Antônio Gonzaga, o padre José de Oliveira Rolim, os coronéis Domingos de Abreu e Joaquim Silvério dos Reis, e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes – o único de uma classe social inferior, e que fazia toda a divulgação da conspiração com o povo.
Os rebeldes reivindicavam um governo republicano, com base nos fundamentos da Constituição dos Estados Unidos, a transformação de São João del Rei em capital do país, obrigatoriedade do serviço militar e apoio à industrialização – se abstendo de discutir acerca da escravidão.

Consequências da Inconfidência Mineira

A rebelião, marcada para o início de 1789, começaria com o sequestro do novo governador da região, o visconde de Barbacena, porém, delatados por alguns de seus participantes, não ocorreu, tendo sido quase todos os seus planejadores presos, e desterrados para as colônias portuguesas na África – apenas Tiradentes assumiu a responsabilidade sobre a revolução, sendo condenado à forca, e após sua morte, foi esquartejado, com seus membros espalhados por todas as cidades em que buscara apoio, mas sua cabeça permaneceu exposta em Vila Rica, a fim de intimidar novos conspiradores e evitar novas rebeliões.
Foi só no período republicano, quando se enfatizou uma posição contrária ao regime imperial, e exaltaram-se as lideranças da inconfidência, que Tiradentes foi transformado em herói e mártir da República.

Fontes:
VICENTINO, Cláudio & DORIGO, Gianpaolo História para o Ensino Médio. São Paulo: Scipione, 2004
ARRUDA, José Jobson de A. História moderna e contemporânea. São Paulo: Atlas, 1982
EBPE Enciclopédia Brasileira de Pesquisa Estudantil. São Paulo: Edros, [s.d]

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Dia da Bandeira

19 de Novembro


Tradução: Olavo Bilac

Música: Francisco Braga

Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.
Recebe o afeto que se encerra etc.
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil, por seus filhos amado,
Poderoso e feliz há de ser.
Recebe o afeto que se encerra etc.
Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão da Justiça e do Amor!
Recebe o afeto que se encerra etc.

No dia 19 de novembro, através do disposto no decreto lei número 4, comemora-se o Dia da Bandeira do Brasil, homenagem ao símbolo máximo da pátria brasileira. A celebração marca a data em que a bandeira foi instituída, em 1889, ou seja, apenas 4 dias após a Proclamação da República. Desenhada por Décio Vilares e projetada por Raimundo Teixeira Mendes e por Miguel Lemos, a bandeira nacional, tal como a conhecemos atualmente, é uma adaptação da antiga bandeira do império brasileiro.
O escudo imperial português foi substituído pelo círculo azul com estrelas brancas, onde se encontra a divisa positivista "Ordem e Progresso".  Inicialmente, no centro dessa esfera, estava representado o céu do Rio de Janeiro com a constelação do Cruzeiro do Sul, exatamente como foi vista no dia 15 de novembro de 1889.  Entretanto, em 1992, uma lei modificou as estrelas da bandeira, determinando que todos os estados brasileiros e o Distrito Federal fossem igualmente representados na bandeira nacional.
Além de normas específicas para as dimensões e proporções do desenho da bandeira nacional, há várias outras regras em relação ao símbolo nacional, como por exemplo, a restrição de que ela fique exposta à noite, a não ser que esteja bem iluminada (ainda que o costume seja hasteá-la de manhã e recolhê-la na parte da tarde), além da obrigatoriedade de hasteá-la em órgãos públicos, escolas, secretarias de governo, repartições públicas, etc) em dias de festa ou de luto nacional, ou diariamente nos edifícios do governo. A bandeira nacional também fica exposta em congressos nacionais, encontros de governo e demais situações em que o Brasil é representado diante de outros países.
Além da bandeira nacional do Brasil, existem duas outras bandeiras brasileiras oficiais: a bandeira presidencial e a bandeira vice-presidencial.
Curiosidades sobre a bandeira brasileira:
Quando várias bandeiras são hasteadas em nosso país, a brasileira deve ser a primeira a chegar no topo do mastro e a última a descer
Quando uma bandeira brasileira fica velha, suja ou rasgada, deve ser imediatamente substituída por uma nova. A bandeira velha deve ser recolhida a uma unidade militar, que providenciará a sua queima no dia 19 de novembro
As quatro cores da Bandeira Nacional representam simbolicamente as famílias reais de que descende Dom Pedro I, idealizador da bandeira do império. Com o passar do tempo, esta informação foi sendo substituída por uma adaptação feita pelo povo brasileiro. Dentro deste contexto, o verde passou a representar as matas, o amarelo as riquezas do Brasil, o azul o seu céu e o branco a paz que deve reinar no Brasil
A versão atual da bandeira nacional brasileira com 27 estrelas entrou em vigor em 11 de maio de 1992, com a inclusão de mais quatro estrelas (antes eram 23 estrelas) representando o Amapá, Tocantins, Roraima e Rondônia.
Hino da Bandeira:
O Hino à Bandeira surgiu a partir de um pedido feito por Francisco Pereira Passos, prefeito do Rio de Janeiro na época, ao poeta Olavo Bilac. O pedido era que o poeta compusesse algo que fosse uma homenagem à bandeira nacional . A criação da melodia apropriada ficou a cargo do professor Francisco Braga, da Escola Nacional de Música. O hino foi adotado pela prefeitura do Rio de Janeiro em 1906, passando a ser cantado em todas as escolas da cidade. Com o tempo, a execução do hino foi se estendendo a corporações militares e demais unidades da federação, tornando-se, por fim, o Hino à Bandeira Nacional, ainda que extraoficialmente.
Fonte: www2.portoalegre.rs.gov.br

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

A República segundo os jornais da época

O ano é 1889, mas a imprensa já estava atuante. Confira como os jornais da época retrataram o acontecimento: a República foi proclamada de forma imprevista e sem derramamento de sangue. Apesar disso, o Jornal do Commercio noticiou a morte do Barão do Ladário, que se recusou a acatar a ordem de prisão que lhe fora dirigida. A recepção ao novo sistema de governo foi calorosa. A imprensa, em sua maioria, bradou em coro: “Viva o Brasil! Viva a Democracia! Viva a Liberdade!


Veja o que foi falado após a proclamação:


Gazeta da Tarde, 15 de novembro de 1889 – Manchete: O Futuro do Brasil
"A partir de hoje, 15 de novembro de 1889, o Brasil entra em nova fase, pois pode-se considerar finda a Monarquia, passando a regime francamente democrático com todas as conseqüências da Liberdade. (...) Assim desaparece a única Monarquia que existia na América e, fazendo votos para que o novo regime encaminhe a nossa pátria a seus grandes destinos, esperamos que os vencedores saberão legitimar a posse do poder com o selo da moderação, benignidade e justiça, impedindo qualquer violência contra os vencidos e mostrando que a força bem se concilia com a moderação. Viva o Brasil! Viva a Democracia! Viva a Liberdade!"

Novidades, 15 de novembro de 1889 – Manchete: Revolta no Exército
"A população desta cidade foi hoje, ao acordar, sobressaltada pela notícia de graves acontecimentos que se estavam passando no quartel general do exército, em ordem a despertar as mais sérias inquietações. Era assustador o aspecto que oferecia a praça da Aclamação, na parte em que se acha situado o referido exército e circunvizinhanças.
Todo o movimento social da cidade acha-se paralisado. O comércio em grande parte fechou as portas. As ruas mais freqüentadas nos dias ordinários estão desertas; raros transeuntes passam, apressados, como perseguidos. (...) O serviço de bondes é feito com grande irregularidade; há longos intervalos no trânsito dos carros, que chegam aos pontos de estação aos grupos de cinco e seis. (...) O pânico anda no ar e nas consciências. (...)"

Vida Fluminense, 17 de novembro de 1889

“(...) Pelóticas e pelotiqueiros é o que se encontra a dar com o pau. Veja-se a pelótica do ministério em relação ao exército. Disseminá-lo pelo Império, mas disseminá-lo de forma que em cada cidade fique apenas uma ala de batalhão, e depois licenciá-lo, aquartelando em seguida alguns batalhões da guarda nacional, eis o plano, ministerial, que desde sete dias corre de boca em boca, com os maiores visos de verdade. (...) É bastante perigosa, porém, a cartada, e tão perigosa, que há muito quem se persuada que no melhor da festa os trunfos não ficarão em mãos dos membros do atual gabinete (...)

Jornal do Commercio, 16 de novembro de 1889
"Despertou ontem esta capital no meio de acontecimentos tão graves e tão imprevistos que as primeiras horas do dia foram de geral surpresa. Rompeu com o dia um movimento militar que, iniciado por alguns corpos do exército, generalizou-se rapidamente pela pronta adesão de toda a tropa de mar e terra existente na cidade.
A conseqüência imediata desses fatos foi a retirada do ministério de 7 de junho, presidido pelo Sr. Visconde do Ouro Preto, que teve de ceder à intimação feita pelo Sr. Marechal Deodoro da Fonseca que assumiu a direção do movimento militar. À exceção do lastimoso caso do Sr. Barão do Ladário, que não querendo obedecer a uma ordem de prisão que lhe fora intimada, resistiu armado e acabou ferido, nenhum ato de violência contra a propriedade ou a segurança individual se deu até o momento em que escrevemos estas linhas. (...)"

Diário do Commercio, 16 de novembro de 1889
“A revolução de ontem é filha unicamente das energias e espírito de classe dos militares, e foram os oficiais superiores que, passando-se para a causa democrática, a tornaram vencedora no momento.
Os elementos civis foram nulos ou improfícuos e só apareceram depois de realizado o movimento, e segundo é de esperar, para ocupar as posições oficiais. É portanto, a classe militar que deve se considerar como único poder existente de fato e do qual depende o êxito ou insucesso da revolução. (...) Mesmo por não andar envolvida em nossas intrigas civis, mesmo pelas suas ilesas virtudes cívicas, é que a classe militar poderá evitar-nos os inconvenientes de uma surpresa que não tem ainda a sanção do voto nacional."

A Nação, 16 de novembro de 1889

É inútil encarecer a gravidade dos acontecimentos. Os nossos conselhos e advertências, embora moderada e imparcialmente feitos, não foram atendidos. A situação é tão difícil que só da prudência e do patriotismo se deve tirar conselho."

Correio do Povo, 16 de novembro de 1889 – Manchete - Viva o Povo Brasileiro!

Durante todo o dia e até alta hora da noite o povo percorreu as ruas do centro da cidade, formando diversos grupos precedidos de bandas de música. Expansiva em seu entusiasmo, a população erguia vivas e saudações à imprensa livre, aos bravos do exército e armada, ao general Deodoro, a Quintino Bocayuva e à República Brasileira. (...)"

República Brazileira, 21 de novembro de 1889 - Manchete: Viva a República!
“(...) Comecemos de pensar. Esta República que veio assim, no meio do delírio popular, cercada pela bonança esperançosa da paz; esta República no século XIX que surgiu com a precisão dos fenômenos elétricos, sem desorganizar a vida da família, a vida do comércio e a vida da indústria; esta República americana que trouxe o símbolo da paz, que fez-se entre o pasmo e o temor dos monarquistas e a admiração dos sensatos - esta República é um compromisso de honra e um compromisso de sangue. (...)"

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Estudantes produzem dicionário biográfico Excluídos da História

Olimpíada de história do Brasil foi criada em 2009 na Unicamp

Do cacique Tibiriçá, nascido antes de 1500 e batizado pelos jesuítas como Martim Afonso de Sousa, que teve papel importante na fundação da cidade de São Paulo a Jackson Viana de Paula dos Santos, jovem escritor nascido em Rio Branco (AC) no ano 2000, fundador da Academia Juvenil de Letras e representante da região norte na Brazil Conference, em Harvard.
Essas são as duas pontas de uma linha do tempo que busca contar a história de importantes personagens brasileiros que estão fora dos livros oficiais, num total de 2.251 verbetes, publicados agora como dicionário biográfico Excluídos da História.
O trabalho foi feito pelos 6.753 estudantes que participaram da quinta fase da Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) do ano passado, entre os dias 3 e 8 de junho de 2019, divididos em equipes de três participantes cada.
A olimpíada foi criada em 2009 pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e reúne atualmente mais de 70 mil estudantes dos ensinos fundamental e médio em uma maratona de busca pelo conhecimento em história do Brasil. A competição tem cinco fases online, com duração de uma semana cada, e uma prova para os finalistas das equipes mais bem pontuadas para definir os medalhistas.

Começou com samba

A coordenadora da Olimpíada Nacional em História do Brasil, Cristina Meneguello, explica que a história do dicionário começou a partir do samba enredo da Estação Primeira de Mangueira, escola campeã do carnaval carioca no ano passado, que levou para a Sapucaí o enredo História para Ninar Gente Grande.
Os versos abriram alas para os “heróis de barracões” com “versos que o livro apagou” para contar “a história que a história não conta” e mostrar “um país que não está no retrato” e o “avesso do mesmo lugar”. Versos que caíram no gosto popular antes mesmo do desfile oficial, sendo tocado em blocos de rua e rodas de samba pela cidade.
Segundo Cristina, a discussão sobre os excluídos da história foi intensa entre os historiadores depois do carnaval no ano passado e o tema permeou toda a competição, que começou no dia 6 de maio.
“Logo na primeira fase da prova a gente fez uma pergunta usando o próprio samba enredo da Mangueira. A gente usa documentos variados, letra de música, propaganda, documentos históricos mais clássicos, imagens, etc. A gente já tinha definido que esse seria o tema da tarefa deles para a quinta fase e fomos colocando as perguntas para eles irem entendendo o tema desde a primeira fase”, lembra.
De acordo com a professora, originalmente não havia a intenção de se publicar o material produzido pelos estudantes. Porém, diante da riqueza e diversidade das pesquisas apresentadas, a coordenação decidiu compartilhar o material com professores, estudantes e todos os interessados, disponibilizando o conteúdo online.
“A gente já sabia que ia ficar uma tarefa muito boa, porque esse conhecimento que eles produzem a partir da escola é sempre muito surpreendente. Mas teve uma série de fatores. O primeiro foi que realmente ficou muito bom o trabalho realizado pelos participantes. Depois, o template que foi criado, com essas quatro páginas como se fosse de um livro didático, ficou um design muito bom e ganhou a medalha de prata no Brasil Design Award no ano passado, como design de sistema educativo”.

Personagens desconhecidos

A escolha do personagem era livre para os estudantes, dentro do critério de ser importante para a história do Brasil e não ser lembrado nos livros didáticos. Cristina diz que o resultado surpreendeu a organização, com verbetes sobre pessoas com importância local e regional, inclusive muitos ainda vivos, mostrando que os participantes entenderam que a história é construída continuamente por personagens diversos, inclusive os que não são apontados pelos historiadores.
“Superou nossa expectativa. Nós observamos que esses personagens desconhecidos são personagens negros, são mulheres importantes para a história do Brasil, são mulheres negras, são líderes locais. Muitos fizeram o verbete de pessoas que estão vivas. São líderes indígenas, pessoas perseguidas na ditadura militar, professores que foram censurados na ditadura militar. Temos de personagens do Brasil colônia até pessoas que estão vivas nesses verbetes”.
Alguns personagens foram lembrados por mais de um grupo, portanto, há verbetes repetidos no dicionário, mas que trazem abordagens diferentes sobre a mesma pessoa.
O grupo da estudante Juliana Kreitlon Pereira foi um dos dois que escreveram sobre Mercedes Baptista, a primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
A sugestão da personagem foi feita por Juliana, que estava no último ano da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa e conheceu a história de Mercedes Baptista pelo professor de História da Dança Paulo Melgaço, semanas antes do desafio da olimpíada.
“A Mercedes sempre fez questão de trazer a dança brasileira para os palcos. Foi uma das coisas que mais me chamou atenção. Ela trabalhou com a Katherine Dunham, uma pesquisadora de movimento e coreógrafa dos Estados Unidos. A Mercedes viu o quanto a gente precisava desse tipo de estudo no Brasil também. Ela recorreu a vários movimentos culturais, coisas que já ocorriam no Brasil mas não tinham holofote. E ela sempre quis trazer bastante atenção para isso”.
Falecida em 2014, Mercedes teve sua estátua inaugurada em 2016 no Largo da Prainha, no circuito Pequena África da zona portuária do Rio de Janeiro.
Juliana se diz muito feliz com a publicação do dicionário online. “Eu não sabia que seria publicado. A gente se esforçou tanto, eu li o livro dela inteiro, até porque era muito interessante. Pensei, poxa, não vai acontecer nada. Quando foi publicado eu fiquei muito feliz porque mais pessoas poderiam conhecer essa bailarina”.
Já a equipe do estudante Lucas do Herval Costa Teles de Menezes decidiu escrever sobre um personagem que representasse o Rio de Janeiro e estivesse presente no cotidiano, mas que as pessoas não percebessem. Um personagem que não tivesse sido completamente apagado da história. O escolhido tem um feriado municipal em sua homenagem em Niterói e dá nome à estação das barcas que chegam do Rio de Janeiro e à praça em frente a ela, onde tem uma estátua: o indígena temiminó Araribóia.
“Eu achei interessante a dinâmica que o personagem teve com os povos estrangeiros, no caso, os portugueses e os franceses. Porque, geralmente, quando a gente aprende sobre a relação dos povos indígenas e os povos europeus invasores, a gente não pensa muito em identificar esses povos indígenas, nunca aprende sobre a história individual de uma figura indígena. Eu achei que ele teve uma história individual muito interessante, foi uma figura de liderança, teve muito envolvimento em mais de uma narrativa política daquela época, e isso me chamou atenção.”
O grupo de Lucas foi o único a lembrar de Araribóia, conhecido como fundador de Niterói e figura fundamental na disputa entre portugueses e franceses que levou à expulsão destes.

Olímpiada

A 12ª edição da Olimpíada Nacional em História do Brasil está com inscrições abertas até o dia 7 de setembro. Podem se inscrever equipes de três estudantes de 8º e 9º anos do ensino fundamental e todos os anos do ensino médio, com a orientação de um professor ou uma professora, de escolas públicas e particulares.
Diferentemente da maioria das olimpíadas científicas, a ONHB estimula a busca pelo conhecimento em história, e não avaliar o que o estudante já sabe por meio de uma prova.
“É um sistema de aprendizagem participar de olimpíadas. Ela é muito exigente e não quer aferir se os estudantes já sabem, ela dá tempo para eles estudarem, perguntam para o professor, perguntam uns para os outros. Tem uma pergunta de uma coisa que ele nunca ouviu falar, não viu na escola. Mas do lado tem um texto, ele lê, se informa, pesquisa na internet e volta para responder. Nesse processo ele aprendeu história. Eu não estou muito interessada se ele já sabia, mas se ele aprendeu naquele momento, o nosso objetivo pedagógico é esse”, afirma Cristina Meneguello.
A primeira edição da ONHB, em 2009, contou com 15 mil participantes. No ano passado, o número chegou a 73 mil. Por causa da pandemia de covid-19, a competição deste ano será online, não havendo a prova presencial para os finalistas que normalmente é aplicada na Unicamp.
As fases são compostas por questões de múltipla escolha e uma tarefa que será corrigida por outros grupos. Serão escolhidas 400 equipes finalistas, o dobro do usual, com distribuição de 20 medalhas de ouro, 30 de prata e 40 de bronze, que serão enviadas para as escolas.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Descobrimento do Brasil - A chegada dos Portugueses


Por Felipe Araújo
O comércio de especiarias tornava-se uma importante fonte de riquezas para Espanha e Portugal no final do século XV. Lisboa tinha uma vida econômica agitada e suas atenções estavam voltadas para novas rotas comerciais. Conhecidos por serem conquistadores natos, espanhóis e portugueses disputavam a conquista das Índias, como eram chamadas as terras desconhecidas e ricas de recursos minerais do Oriente.


De acordo com alguns historiadores, o Brasil já estava nos planos das conquistas portuguesas desde que Duarte Pacheco Pereira, pessoa de extrema confiança do então rei D. Manuel, esteve em terras brasileiras. Duarte desembarcou entre o Maranhão e o Pará. Mas, quando voltou a Portugal, o rei manteve a missão em segredo para que a Espanha não enviasse expedições nesta área. Começava a ser arquitetado um novo plano de chegada às Índias.

Terra à vista!

Então, D. Manuel I, em parceria com comerciantes portugueses, organizou uma expedição de 13 embarcações com tripulação entre 1.200 e 1.500 homens. O comando da expedição foi dado a Pedro Álvares Cabral, que tinha como homem de confiança um dos mais experientes navegadores portugueses, Bartolomeu Dias.
A expedição de Cabral chegou, primeiramente, às Ilhas Canárias, depois foi para o Arquipélago de Cabo Verde, onde uma caravela sumiu no meio do mar. Seguiram uma rota sudoeste, cruzando a linha do Equador, como fizera Vasco da Gama. Então, no dia 22 de abril de 1500, a expedição ancora em um monte, ao qual deram o nome de Pascoal. Pedro Álvares Cabral, Bartolomeu Dias e os 1500 homens descobriam o Brasil.


Mas o atual território brasileiro já era habitado muito tempo antes da chegada dos portugueses. Em 1500, cinco milhões de índios encontravam-se espalhados ao longo do litoral.

Primeiras expedições ao  Brasil

As expedições mais importantes enviadas ao Brasil depois do descobrimento aconteceram de 1500 a 1530. Este período foi denominado pré-colonizador pelos historiadores. Em 1501, houve uma expedição dirigida por Gaspar de Lemos. Gaspar e seus homens exploraram uma boa parte do litoral brasileiro, batizando ilhas, baías e cabos.
Já em 1503, Gonçalo Coelho e sua frota fizeram uma nova expedição obedecendo a um tratado entre o Rei de Portugal e um grupo de comerciantes interessados na exploração de Pau-Brasil, dentre eles estava o comerciante Fernão de Noronha.
Entre os anos de 1516 e 1520, expedições foram comandadas por Cristóvão Jacques, na tentativa de deter o contrabando de Pau-Brasil feito por outras navegações européias. Estas expedições eram chamadas de guarda-costas, mas não obtiveram sucesso, devido a grande extensão do litoral brasileiro.

Pindorama

Antes mesmo de o Brasil se tornar Brasil, o número de índios vivendo no país ultrapassava a marca de dois milhões. Divididos em diversas tribos, como a dos tupi-guaranis, a dos tapuias, caraíbas, entre outras; eles já haviam batizado a terra de Pindorama, referindo-se às palmeiras existentes no território.


Fontes:
UOL: http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1702u42.jhtm
How Stuff Works: http://pessoas.hsw.uol.com.br/quem-descobriu-a-america.htm
COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e geral. São Paulo: Editora Saraiva, 2005.

domingo, 5 de julho de 2015

Projeto resgata memória cultural de cidades fluminenses | Agência Brasil

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil Edição: José Romildo
O projeto Nasce uma Cidade, movimento cultural criado em 2010 por um grupo de artistas de Barra Mansa, para resgatar, por meio da arte e da cultura, a memória da cidade do sul fluminense construída no século 17, parte agora para conectar em rede os grupos e artistas de toda a região do Médio Paraíba do estado do Rio de Janeiro, com a mesma finalidade. A região envolve 12 municípios (Barra do Piraí, Barra Mansa, Itatiaia, Pinheiral, Piraí, Porto Real, Quatis, Resende, Rio Claro, Rio das Flores, Valença e Volta Redonda).
O projeto ganhou o Prêmio Areté, da Secretaria da Diversidade Cultural e Cidadania do Ministério da Cultura, e pode servir de referência para outras regiões do estado e também do país. O coordenador do Nasce uma Cidade, Rafael Crooz, disse à Agência Brasil que o projeto visa a conectar os artistas em rede, em prol da reconstrução da memória cultural das cidades, em seu aspecto regional. Com esse objetivo, foi feito este ano um chamamento cultural e artístico.
“O chamamento tem o objetivo de agregar grupos que possam se interessar pela proposta do projeto de ocupação das ruas, por meio da arte e da cultura, cada um com a sua prática, sua habilidade, sem alterar a sua identidade cultural”. Podem integrar o projeto todas as expressões das artes e da cultura, como dança de rua, dança clássica, poesia, grafite, teatro, música erudita e popular, artes plásticas, entre outras.
O chamamento se encerrou no dia 1º de julho e tem expectativa de reunir até outubro cerca de 450 artistas autônomos e grupos de criação da região. O projeto tem parceria do programa Sesi Cultural, do Serviço Social da Indústria (Sesi), e da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Ele trabalha não só com os chamados fazedores de cultura, mas com grupos de pesquisa, como o Núcleo de Estudos em Patrimônio Cultural do Médio Paraíba Fluminense da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), em Resende. Esses grupos de pesquisa são formados por arquitetos, urbanistas, historiadores, entre outros especialistas.
Rafael Crooz reiterou que é importante “incentivar que outras cidades e regiões promovam práticas a partir dessa iniciativa”. Ele avaliou que, quanto mais se falar sobre uma localidade, “mais global [ela] fica”. Ou seja, quanto mais específica for a prática, “mais interesse desperta nos municípios ao redor, nos estados ou no país”.
Crooz lembrou o conceito expressado pelo arquiteto Flávio de Carvalho sobre as cidades do futuro, em 1930: “As cidades deveriam ser construídas para o convívio dos homens e não das máquinas”. Segundo o coordenador, cabe aos homens resgatar a memória cultural dos municípios. Por isso, o subtítulo do projeto Nasce uma Cidade é Cidadãos, Arquitetos da Memória.
Além de desfile cênico no mês de outubro, em comemoração ao aniversário de Barra Mansa, o projeto vai realizar este ano seminário sobre construções narrativas do patrimônio cultural e um encontro da rede de colaboradores.
Na avaliação do presidente da Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (Febacla), Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho, projetos como o Nasce uma Cidade são importantes para o desenvolvimento cultural do estado. “Acho que as autoridades deveriam dar maior atenção a esse tipo de projeto, para que possa haver um desenvolvimento maior que contribui para os estados na questão cultural, histórica”, disse.

domingo, 13 de janeiro de 2013

A figura do Observador Comunitário surgiu no Campinarte em 1997


A figura do Observador aparece pela primeira vez na capa da edição de Outubro de 1997, [usando uma expessão da moda], uma prova de coerência...
Um atleta de Nova Campinas que tivemos o maior prazer em destacar nessa edição de Outubro de 1997 foi Marcílio B. Martins...
Destacamos duas notas sociais num único recorte: o casamento de Jerri e Suzana, detalhe: casados até hoje... e o aniversário da menina [também de Nova Campinas] Suyanne...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Campinarte de Volta no Tempo - Junho de 1997


A capa da edição de Junho de 1997 não foi ninguém menos que a linda Bianca, moradora [na época] de Nova Campinas, além dessa bela modelo destacávamos também: esporte, saúde, religião, etc...Na página 6 dessa edição de Junho de 1997 publicamos uma matéria sobre a AMORA (Associação de Moradores do Parque Paulista, o seu preseidente à epoca era o sr. Jorge Camilo...E como sempre divulgando os eventos que eram promovidos pelas comunidades...
Para ler os recortes clique nas imagens

Campinarte de Volta no Tempo - Continuamos em 1997


Selecionamos Ingrid Oliveira que foi a Garota Campinarte do mês de Julho de 1997...nessa edição quem mui merecidamente destacamos foi a equipe de varrição comandada na época pelo fiscal Ailton...outro recorte que selecionamos para hoje foi o da Festa Junina realizada pelo Colégio Nova Visão em Nova Campinas...na capa da edição de Julho de 1997 temos aí o Juninho morador de Nova Campinas...Para ler os recortes clique nas imagens...

domingo, 11 de setembro de 2011

Campinarte de Volta no Tempo - O Ano ainda é 1997


Separamos a capa da edição de Agosto de 1997 - Esse filhote de pastor alemão que aparece na capa era o Major. Tanto o cão como o seu proprietário [Arthur] já faleceram e ambos eram de Nova Campinas.
Dentre tantas matérias publicadas nessa edição temos um informativo da ABAJA - nessa época o seu preseidente era o Ademar Sem-terra -, destacamos também um informe da Associação de Moradores do Barro Branco assinada pelo então vice-presidente Rodrigues. Para ler os recortes clique nas imagens...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Campinarte de Volta no Tempo - O Ano é 1997...


Para o retorno da seção Campinarte de Volta no Tempo recortamos da edição [do ainda] Campinarte dá a dica de Setembro de 1997, a capa - que trazia como destaque a Copa Campinarte de Futebol Feminino organizado especialmente para a comemoração do primeiro aniversário do nosso informativo.
Cristiane, atleta da equipe do Centro Esportivo (equipe vencedora desse torneio) também foi escolhida a Garota Campinarte daquele mês de Setembro por ter sido eleita a atleta mais bonita da Copa Campinarte de Futebol.
Nos recortes selecionamos: a capa, a equipe campeã da Copa Campinarte e ainda de quebra o raio X da competição... Para ler o recorte clique na imagem.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Campinarte de volta no tempo...

Auto Viação Jurema em 1960
Duas propagandas da FNM - a primeira de 1961 e a segunda de 1968
Em 23 de Julho de 1971, finalmente os trens elétricos chegaram a Duque de Caxias, região da antiga Leopoldina. Com isso, finalmente estavam realmente unificados os Subúrbios da Leopoldina e da Central, ambos em bitola 1,60m. Posteriormente a Eletrificação foi a Gramacho e finalmente a Saracuna, com a bitola de 1,60m. Os trens elétricos que saíam de Barão de Mauá rumo a Gramacho/Saracuna, foram transferidos para a Estação D. Pedro II, concentrando assim, todas as linhas Suburbanas. Foto publicada na Revista REFESA, década de 70. Cortesia: Christoffer R.
Esta foto é de 1965, conforme indica o busófilo Augusto Antônio, responsável pela foto. Este ônibus é da Viação Paredense, hoje extinta, que fazia na ocasião a linha Caxias - Praça da Bandeira.
Em meados do século XIX, Meriti representava apenas um porto de escoamento de poucos produtos, dentre os quais a lenha e o carvão vegetal. A recuperação de Meriti começou a insinuar-se com o advento da estrada de ferro que levara tantas localidades ao ocaso – Estrela, Vila de Iguaçu, Porto das Caixas. Sob a égide da “maria-fumaça”, tudo se modificou.
SOL – SOCIEDADE DE ÔNIBUS LTDA – DUQUE DE CAXIAS – RJ / FUNDADA EM 1961, COM SUA TRADICIONAL LINHA ( DUQUE DE CAXIAS X FREGUESIA ), NA ÉPOCA SUA FROTA ERA ATÉ GRANDE PARA ATENDER UMA SÓ LINHA.
O ramal de Xerém foi aberto provavelmente já em 1883, com a linha principal da E. F. Rio D'Ouro. Saía da estação de Belford Roxo e seguia até a localidade de Xerém. Passou a transportar passageiros e fechou sua linha em maio de 1969, quando correu o último trem de passageiros.
Trem a diesel em Duque de Caxias, anos 1970
(Autor desconhecido).