
Martim Lopes, governador de São Paulo no século 18, não se conformava com a falta de respeito ao alvará real de 20 de agosto de 1649. Apesar da proibição, as mulheres continuavam se rebuçando. Melhor explicar: usando longos panos cobrindo a cabeça, à maneira da Idade Média. O traje “detestável e inculto”, dizia Lopes, dava liberdade para que “entrassem até de dia na casa de homens”. Também podia ser disfarce para criminosos, desconfiava o governador, que estipulou penas para quem não tivesse o rosto descoberto.De nada adiantou. Acredita-se que as mulheres sem acesso a cosméticos quisessem esconder cicatrizes da varíola. E ainda que brancas pobres usassem o figurino-esconderijo por vergonha de realizar tarefas associadas a escravos. Em 30 de agosto de 1810 veio a terceira e derradeira proibição, agora por parte do príncipe regente, dom João VI. E finalmente, depois de séculos, o costume caiu em desuso. (Natália Pesciotta)
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