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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Madalena aprende a ler e Portugal corre perigo


Brasil, 1561. A índia Madalena Caramuru escreve ao padre Manuel da Nóbrega. Pede que crianças escravas, “que se vêem separadas dos pais cativos, sem conhecerem Deus, sem falarem a nossa língua e reduzidas a esqueletos”, fossem tratadas com dignidade.Saber ler e escrever era privilégio de poucos homens. Mulheres eram mantidas na absoluta ignorância. Madalena foi exceção.Nóbrega, entusiasmado, tentou criar oportunidades de alfabetização para as brasileiras. Enviou o pedido à rainha Catarina de Bragança. Mas a metrópole portuguesa recusou a iniciativa, qualificando de “ousado” o projeto, pelo “perigo” que pudesse representar.O náufrago português Diogo Álvares Correia, casado com a índia tupinambá Moema Paraguaçu, foi o pai de Madalena. Os índios, ao vê-lo sair das águas molhado, roupas coladas ao corpo, chamaram-no de Caramuru (enguia, peixe-cobra; nada a ver com “filho do trovão”, invenção poética do frei Santa Rita Durão). Em 1526, o casal viajou para a França. Em Saint-Malo, Moema recebeu o nome cristão de Catarina do Brasil. De volta, foram viver num povoado de Salvador, Bahia. Em 1534, a filha Madalena casou com Afonso Rodrigues, português de Óbidos, responsável por sua entrada no mundo das letras. Para os índios, a mulher era companheira e não havia razão para diferenças entre sexos. Assim, Madalena entrou para a História como primeira mulher brasileira letrada.
Janaina Abreu

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