
“Ele devia reger uma banda militar”, diziam os inimigos. Pois foi lá que um dos maiores maestros brasileiros começou. O cearense Eleazar de Carvalho (1912-1996) entrou na música por “gulodice”, como dizia. Na escola de aprendizes marinheiros, a comida dos garotos da banda era melhor. Passou dez anos tocando em bandas da Marinha. “Me chamam de sargentão”, reconhecia o maestro, que parava concerto para dar bronca em músico ou platéia. No Instituto Nacional de Música, diplomou-se em todas as especialidades. Aos 34 anos segue para os EUA: “Quero reger uma das três grandes: Boston, Filadélfia ou Nova York.” Regeu as três, além das Filarmônicas de Berlim e Londres. Foi professor de Zubin Mehta, Cláudio Abbado e Seiji Ozawa, três dos maiores regentes do planeta. O carrancudo maestro também apostava na vanguarda. Em 1972 regeu a peça Santos Football Music, de Gilberto Mendes, que misturava narração de futebol com orquestra. No final, uma bola era arremessada dos bastidores. Eleazar cabeceava certeiro encerrando a música.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.