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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Crianças e adolescentes na mídia / Depressão atinge um a cada 10 adolescentes

Rodrigo Ferrari / Esqueça aquela imagem que as pessoas costumavam ter dos adolescentes: de que eles passavam seus dias sem ter nada de importante para se preocupar, dividindo seu tempo entre escola, amigos e um bocado de coisas fúteis para matar as horas. Nos últimos anos, a depressão - distúrbio que costuma ser associado aos adultos atarefados, ansiosos e estressados - tem avançado entre os indivíduos mais jovens.
Estudo realizado por pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), do Instituto Fernandes Figueira (IFF) e do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec), três unidades da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Rio de Janeiro, constatou que 10% dos adolescentes apresentam sintomas de depressão.
A pesquisa avaliou 1.923 alunos, com idades entre 11 e 19 anos, que cursavam da 7.ª série do ensino fundamental ao 2.º ano do médio em 38 escolas públicas e particulares do município de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
A incidência do problema seria mais comum entre as meninas (13% delas apresentariam sintomas do transtorno, contra apenas 6,3% dos garotos), entre adolescentes que sofrem de baixa auto-estima (6,4 vezes mais chances) e entre aqueles que se dizem insatisfeitos com a vida (3,2 vezes mais possibilidades).
Adolescentes que sofreram violência física severa por parte da mãe (como chutes, mordidas, espancamentos) mostraram ter 6,5% mais chances de apresentar os sintomas da doença. Além disso, filhos de pais separados teriam 73% mais possibilidades de desenvolver o problema.
O avanço do transtorno entre os mais jovens é um fenômeno que não se restringe ao universo estudado pelos pesquisadores da Fiocruz. Profissionais que atuam há vários anos na Divisão de Saúde Mental da Prefeitura de Bauru - como a gerente do Centro de Apoio Psicossocial Infantil (Caps-i, voltado ao atendimento de indivíduos com idades entre 3 e 20 anos), Ivete Maria Pícaro, e a psicóloga da unidade Valéria Gimenes - garantem que tem aumentado na cidade (e de maneira preocupante) o número de casos de depressão entre crianças e adolescentes. “Nossa demanda vem crescendo a cada ano que passa. Hoje, é mais comum vermos crianças com sofrimento, ansiedade, estresse do que antigamente”, garante Valéria. Todos os meses, em média, o Caps-i atende a 70 pacientes, em média, com idades entre 13 e 20 anos, a maior parte deles portadores de distúrbios mentais graves como depressão com sintomas psicóticos ou transtorno bipolar.

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