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quarta-feira, 2 de julho de 2008

Hospital cancela transplantes e gera revolta em pacientes

O hospital Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, paralisou totalmente a realização de transplantes de fígado e rim alegando desabastecimento. Desde abril, cinco pacientes que aguardavam o procedimento morreram. Mais de 700 estão cadastrados na fila de espera.
Ontem, cerca de 30 pacientes fizeram um protesto na frente do hospital, que fica na Ilha do Fundão, Zona Norte do Rio. O procurador da República Daniel Prazeres cobrou ontem informações ao diretor Alexandre Pinto Cardoso.
No dia 9 de maio, Cardoso encaminhou ofício ao Programa Rio Transplante, órgão da Secretaria Estadual de Saúde, e ao Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do Ministério da Saúde informando que os transplantes e todos os tratamentos e exames ligados ao procedimento estavam suspensos "por desabastecimento da unidade".
O procurador quer saber qual o tratamento que será dispensado aos pacientes na fila de espera. "O paciente precisa ser comunicado oficialmente do problema para buscar alternativas para o tratamento", afirmou Prazeres.
Segundo a coordenadora do Rio Transplante, Ellen Barroso, o doente em tratamento em uma unidade pode mudar para outra, mas precisa comunicar oficialmente o órgão. O Estado do Rio foi responsável por 9,2% do total de transplantes de fígado realizados no País no ano passado.
Além do hospital Clementino Fraga Filho, há mais três unidades credenciadas, duas públicas e uma particular.
Sem monitoramento - "O problema do Hospital-Geral de Bonsucesso, outra unidade pública no município credenciada, é que apesar de terem excelente equipe, precisariam de mais profissionais e mais leitos de terapia intensiva e de pós-operatório para tratar dos pacientes que fossem transferidos. A situação é bem delicada.
Além disso, há pacientes que se tratam há quatro, cinco anos na unidade e têm medo de mudar", disse Ellen. Segundo a coordenadora, como o hospital não está fazendo os exames, eles não conseguem nem saber se a gravidade da doença aumentou.
Protesto
No protesto realizado ontem, a doceira Vanda da Penha Amorim, de 64 anos, contou que convive com a expectativa do transplante há mais de quatro anos. Há cerca de oito, ela teve diagnosticada uma cirrose hepática por hepatite C. "Sempre fui tão ativa, agora não consigo nem lavar a xícara do café que tomo. Eles não estão me dando a chance de viver", disse, chorando.
Lilia Borges, de 23 anos, espera por um fígado há um ano e dois meses, desde que recebeu o diagnóstico de câncer no órgão. "Estou muito nervosa com tudo isso e sem saber se vou viver o suficiente para receber o transplante", disse. Lilia é a segunda na fila.
Em nota, o diretor do hospital esclareceu que a situação de "desabastecimento está sendo vencida e o hospital está retomando progressivamente suas atividades". Segundo a nota, o transplante hepático depende de nova equipe técnica, que está sendo definida e vai operar em breve.