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sexta-feira, 23 de maio de 2014

A literatura infantil de Érico Veríssimo

Os seis volumes da obra infantil de Érico Veríssimo “O urso com música na barriga”, “Rosa Maria no castelo encantado”, “Três porquinhos pobres”, “As aventuras do avião vermelho”, “A vida do elefante Basílio” e mais uma vez “Os Três porquinhos” sem badalação no mercado desse segmento é material literário de alta voltagem no campo imaginativo. Veríssimo opta pelo gênero fora da boa moda que é a escritura para crianças ou público infanto-juvenil. Escreveu muito antes. Bem antes dessa onda. Aliás as invenções contidas nas estórias não ficam a limitar em criatividade e fabulação. Potencializa estímulos fora de qualquer cronologia de idade. Os adultos podem exercitar o imaginário numa ludicidade que sabemos há algum tempo aprisionada nas telinha de celulares, videogames e outros equipamentos eletrônicos similares num fantástico lúdico virtual. Enquanto não vira ebook fica o convite de Veríssimo ao táctil-visual.
A exemplo de Monteiro Lobato autor do “Sítio do pica-pau amarelo” o escritor gaúcho produziu essas estórias fora do saudável boom lítero-infantil instalado nas três últimas décadas no país. Até agora esse material não foi adaptado para cinema ou televisão. Apresentou na pequena grande obra preocupação antecipada em elevar o nível de repertório de consumo de tenros leitores. Sobretudo em produtos capazes de proporcionar abertura e concepção inventiva inesgotável.
Vários acentos nessa linha vinham sendo sinalizados. No final dos anos de cinqüenta do século passado três poetas paulistas  -Décio Pignatari e os irmãos Haroldo e Augusto de Campos- lançaram o manifesto poético da Poesia Concreta. Cabedal de textos estatu tários enfeixados num volume de capa branca que trazia ilustrações de desenhos de super-heróis quadrinizados infantis. Posteriormente, se procedia no Brasil reciclagem metalingüística do escritor e poeta inglês Lewis Carroll (1832-1898) autor do clássico “Alice no país das maravilhas”. A operação tradutora de partes do texto foi operada por Augusto e resultou no poema visual “Jaguadarte”. Mais tarde na voz da aguda da compositora Tetê Espíndola que também gravou o poema “Rêde” do potiguar Jorge Fernandes ampliaria significativamente a popularização do poema de Carroll. 
Cecília Meireles e Vinícius de Morais ambos poetas consagrados da chamada “geração 45” empreenderam percurso de interesse infantil. Chico Buarque de Holanda com os “Saltimbancos”... Érico Veríssimo abdicando de qualquer visgo regionalista conseguiu envolver signos comuns (elefante voador, anões, ursos, porquinhos, avião falante, etc) numa rara manipulação narrativa tornando extremamente agradáveis a leitura e o trajeto dos enredos. O elefante Basílio fez uma viagem ancestral na arca de Noé. Ele nasce em Bengala, na Índia tornando-se prisioneiro dos homens. Nos lugares por onde passou esteve no jardim zoológico de Londres. Depois encena temporada no Circo Lusitano até que esbarrar emocionado no Rio de Janeiro morando em área suburbana. Por fim encontra um gnomo que realiza o desejo aspirado: dele se transformar em borboleta. Metamorfose ambulante. Proeza do elefante-de-asas. A proeza do gnomo termina mal sucedida. Acaba sendo baleado por tiro de caçador de perdiz.
Já nas “Aventuras do avião vermelho”, o gordo sapeca hiper-travesso Fernando, depois de fustigar as galinhas atirando-lhes pedra e os cachorros jogando-lhes água quente acaba por transformar radicalmente seu comportamento numa epopéia singular. Migra pensamentos e atitudes para caminhos lunáticos. E aí nesse itinerário faz em vôo de cruzeiro a viagem galática até a lua. Claro pilotando a máquina escarlate. Fernando a bordo do avião vermelho. Para essa viagem sideral o personagem convida o ursinho ruivo e o boneco preto de louça que tinha a “beiçola caída e dente arreganhado, parecendo com um teclado de Piano”. O amigo Chocolate, como era chamado assimilaria linguagem lunar consistindo  na falação de vocábulos escritos de trás-pra-frente. Experimenta sorvetes espetados por saborosas estrelinhas apanhadas silvestremente no espaço cósmico. Exploradores e aventureiros que eram enveredam pelo continente africano e se envolvem perigosamente com selvagens nativos. Detidos e penalizados foram levados para morte. E felizmente salvos da fogueira graças rápida apreensão do dialeto africano pó parte do lingüista ao reverso o preto boneco cerâmico beiçola: Poliglota Chocolate. Rangaram doce de marmelo no Zepelim atravessaram nuvens e nuvens que abrigavam cidades de tico-ticos e naufragaram num indeterminado oceano. Atlântico provavelmente. 
O personagem travesso por desvio dos ventos cairiam casualmente na chaminé da casa paterna encravada em solo brasileiro. Não obstante, sem comida o pior momento se deu em um desespero de fome. O urso pardo de pelúcia sugere ato antropofágico: comer a perna de Chocolate o boneco de louça dominador de idiomas. Mas... a situação seria devidamente contornada. É preciso ler para saber o  resto da estória. Por essas e outras planuras as contações vão tomando corpo e musculatura. É recomendável a leitura dessas obras de Érico Veríssimo em meio a abundância de livros e musicais com abordagens assemelhadas. Foi a obra infantil de Vinicius de Morais que impactou o mercado fonográfico arrebanhando vários expoentes da música brasileira com a direção de Mazola produção executiva de Fernando Faro e com os arranjos do maestro tropicalista Rogério Duprat e Toquinho. A criação de capa foi adaptada e ilustrada por de Elifas Andreato sobre originais do artista plástico cearense Antonio Bandeira que ajudou com Aldemir Martins a fazer o modernismo alencarino. Walter Franco, Fagner, Paulinho da Viola, Ney Matogrosso, Tom Jobim, Clara Nunes, Elba Ramalho.... Um timaço que virou definitivamente a página do conteúdo lítero-musical para meninada brasileira. Érico Veríssimo se destaca dentro desse pioneirismo com o controverso Monteiro Lobato. Em tempos de circulação global mantêm sua performances conteúdisticas incontestadas sem contudo no caso de Lobato gerar polêmicas que transitam da fantasias a matizes ideológicas.


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