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sábado, 29 de novembro de 2025

Quem conta um conto merece quanto? De quem partiu a mentira?


NUMA cidade, dois homens num carro atravessaram um cruzamento. O sinal estava verde, mas foram detidos por um guarda de trânsito, que lhes perguntou: “Por que ultrapassaram o sinal vermelho?” Ambos os homens negaram tê-lo feito. Mas, o guarda disse: “Estão me dizendo que não enxergo?” E começou a preencher um talão de multa. O motorista respondeu baixinho: “Há Alguém lá em cima que sabe o que o senhor está fazendo.” O guarda hesitou . . . e foi embora.
Sim, o policial estava mentindo. É isso surpreendente? Dificilmente. A mentira está profundamente arraigada na sociedade humana. Como amiúde se diz: “Conte a mentira um número suficiente de vezes, e as pessoas acreditarão nela.” Muitos políticos parecem concordar com isso, e, no conceito de muitos, a política está intimamente associada à mentira.
As pessoas mentem por todo o tipo de motivo. Certo cristão (sério), que estivera desempregado durante algum tempo, candidatou-se a um emprego numa firma comercial. Mas, o gerente advertiu-o: “Para vender meus produtos, terá de saber mentir melhor do que os outros!” O cristão recusou o emprego.
Mesmo pessoas religiosas, que não se apegam às normas piedosas, recorrem à mentira.
Líderes religiosos judaicos, quando ouviram que o executado Jesus de Nazaré fora ressuscitado subornaram os soldados que guardavam o túmulo de Jesus para dizer: “Seus discípulos vieram de noite e o furtaram, enquanto estávamos dormindo”.
Contudo, parece que mentir não é natural dos humanos. O dr. Lewis Thomas escreveu: “Segundo entendo, o ser humano não é capaz de contar uma mentira, mesmo pequena, sem acionar uma espécie de alarme brumoso no fundo dum lóbulo escuro do cérebro, resultando na descarga repentina de impulsos nervosos, ou na secreção repentina de neuro-hormônios de algum tipo . . . Mentir, portanto, provoca tensão, mesmo quando o fazemos para obter proteção, alívio, escape, ou lucro.” (Discover, dezembro de 1980) São tais reações físicas que acionam o detector de mentiras.

sábado, 22 de novembro de 2025

POEMAS DE MACHADO DE ASSIS


Livros e Flores

Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?
Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor, 
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?

Círculo vicioso

Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:
"Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!"
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
"Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela"
Mas a lua, fitando o sol com azedume:
"Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume"!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...



Carolina

Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.
Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs o mundo inteiro.
Trago-te flores - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.
Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.
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Quando ela fala

Quando ela fala, parece 
Que a voz da brisa se cala; 
Talvez um anjo emudece 
Quando ela fala. 
Meu coração dolorido 
As suas mágoas exala, 
E volta ao gozo perdido 
Quando ela fala. 
Pudesse eu eternamente, 
Ao lado dela, escutá-la, 
Ouvir sua alma inocente 
Quando ela fala. 
Minha alma, já semimorta, 
Conseguira ao céu alçá-la 
Porque o céu abre uma porta 
Quando ela fala
.
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Stella


Já raro e mais escasso
A noite arrasta o manto,
E verte o último pranto
Por todo o vasto espaço.
Tíbio clarão já cora
A tela do horizonte,
E já de sobre o monte
Vem debruçar-se a aurora
À muda e torva irmã,
Dormida de cansaço,
Lá vem tomar o espaço 
A virgem da manhã.
Uma por uma, vão
As pálidas estrelas,
E vão, e vão com elas
Teus sonhos, coração.
Mas tu, que o devaneio
Inspiras do poeta,
Não vês que a vaga inquieta
Abre-te o úmido seio?
Vai. Radioso e ardente,
Em breve o astro do dia,
Rompendo a névoa fria,
Virá do roxo oriente.
Dos íntimos sonhares
Que a noite protegera,
De tanto que eu vertera.
Em lágrimas a pares.
Do amor silencioso.
Místico, doce, puro,
Dos sonhos do futuro,
Da paz, do etéreo gozo,
De tudo nos desperta
Luz de importuno dia;
Do amor que tanto a enchia
Minha alma está deserta.
A virgem da manhã
Já todo o céu domina
Espero-te, divina,
Espero-te, amanhã.

sábado, 1 de novembro de 2025

Quem conta um conto merece quanto? / Idéias do canário (Machado de Assis)

Um homem dado a estudos de ornitologia, por nome Macedo, referiu a alguns amigos um caso tão extraordinário que ninguém lhe deu crédito. Alguns chegam a supor que Macedo virou o juízo. Eis aqui o resumo da narração.

No princípio do mês passado, — disse ele, — indo por uma rua,sucedeu que um tílburi à disparada, quase me atirou ao chão. Escapei saltando para dentro de urna loja de belchior. Nem o estrépito do cavalo e do veículo, nem a minha entrada fez levantar o dono do negócio, que cochilava ao fundo, sentado numa cadeira de abrir. Era um frangalho de homem, barba cor de palha suja, a cabeça enfiada em um gorro esfarrapado, que provavelmente não achara comprador. Não se adivinhava nele nenhuma história, como podiam ter alguns dos objetos que vendia, nem se lhe sentia a tristeza austera e desenganada das vidas que foram vidas.

A loja era escura, atulhada das cousas velhas, tortas, rotas, enxovalhadas, enferrujadas que de ordinário se acham em tais casas, tudo naquela meia desordem própria do negócio. Essa mistura, posto que banal, era interessante. Panelas sem tampa, tampas sem panela, botões, sapatos, fechaduras, uma saia preta, chapéus de palha e de pêlo, caixilhos, binóculos, meias casacas, um florete, um cão empalhado, um par de chinelas, luvas, vasos sem nome, dragonas, uma bolsa de veludo, dois cabides, um bodoque, um termômetro, cadeiras, um retrato litografado pelo finado Sisson, um gamão, duas máscaras de arame para o carnaval que há de vir, tudo isso e o mais que não vi ou não me ficou de memória, enchia a loja nas imediações da porta, encostado, pendurado ou exposto em caixas de vidro, igualmente velhas. Lá para dentro, havia outras cousas mais e muitas, e do mesmo aspecto, dominando os objetos grandes, cômodas, cadeiras, camas, uns por cima dos outros, perdidos na escuridão.

Ia a sair, quando vi uma gaiola pendurada da porta. Tão velha como o resto, para ter o mesmo aspecto da desolação geral, faltava lhe estar vazia. Não estava vazia. Dentro pulava um canário.

A cor, a animação e a graça do passarinho davam àquele amontoado de destroços uma nota de vida e de mocidade. Era o último passageiro de algum naufrágio, que ali foi parar íntegro e alegre como dantes. Logo que olhei para ele, entrou a saltar mais abaixo e acima, de poleiro em poleiro, como se quisesse dizer que no meio daquele cemitério brincava um raio de sol. Não atribuo essa imagem ao canário, senão porque falo a gente retórica; em verdade, ele não pensou em cemitério nem sol, segundo me disse depois. Eu, de envolta com o prazer que me trouxe aquela vista, senti-me indignado do destino do pássaro, e murmurei baixinho palavras de azedume.

— Quem seria o dono execrável deste bichinho, que teve ânimo de se desfazer dele por alguns pares de níqueis? Ou que mão indiferente, não querendo guardar esse companheiro de dono defunto, o deu de graça a algum pequeno, que o vendeu para ir jogar uma quiniela?

E o canário, quedando-se em cima do poleiro, trilou isto:

— Quem quer que sejas tu, certamente não estás em teu juízo. Não tive dono execrável, nem fui dado a nenhum menino que me vendesse. São imaginações de pessoa doente; vai-te curar, amigo.

— Como — interrompi eu, sem ter tempo de ficar espantado. Então o teu dono não te vendeu a esta casa? Não foi a miséria ou a ociosidade que te trouxe a este cemitério, como um raio de sol?

— Não sei que seja sol nem cemitério. Se os canários que tens visto usam do primeiro desses nomes, tanto melhor, porque é bonito, mas estou vendo que confundes.

— Perdão, mas tu não vieste para aqui à toa, sem ninguém, salvo se o teu dono foi sempre aquele homem que ali está sentado.

— Que dono? Esse homem que aí está é meu criado, dá-me água e comida todos os dias, com tal regularidade que eu, se devesse pagar-lhe os serviços, não seria com pouco; mas os canários não pagam criados. Em verdade, se o mundo é propriedade dos canários, seria extravagante que eles pagassem o que está no mundo.

Pasmado das respostas, não sabia que mais admirar, se a linguagem, se as idéias. A linguagem, posto me entrasse pelo ouvido como de gente, saía do bicho em trilos engraçados. Olhei em volta de mim, para verificar se estava acordado; a rua era a mesma, a loja era a mesma loja escura, triste e úmida. O canário, movendo a um lado e outro, esperava que eu lhe falasse. Perguntei-lhe então se tinha saudades do espaço azul e infinito.

— Mas, caro homem, trilou o canário, que quer dizer espaço azul e infinito?

— Mas, perdão, que pensas deste mundo? Que cousa é o mundo?

O mundo, redargüiu o canário com certo ar de professor, o mundo é uma loja de belchior, com uma pequena gaiola de taquara, quadrilonga, pendente de um prego; o canário é senhor da gaiola que habita e da loja que o cerca. Fora daí, tudo é ilusão e mentira.

Nisto acordou o velho, e veio a mim arrastando os pés. Perguntou-me se queria comprar o canário. Indaguei se o adquirira, como o resto dos objetos que vendia, e soube que sim, que o comprara a um barbeiro, acompanhado de uma coleção de navalhas.

— As navalhas estão em muito bom uso, concluiu ele.

— Quero só o canário.

Paguei lhe o preço, mandei comprar uma gaiola vasta, circular, de madeira e arame, pintada de branco, e ordenei que a pusessem na varanda da minha casa, donde o passarinho podia ver o jardim, o repuxo e um pouco do céu azul.

Era meu intuito fazer um longo estudo do fenômeno, sem dizer nada a ninguém, até poder assombrar o século com a minha extraordinária descoberta. Comecei por alfabeto a língua do canário, por estudar-lhe a estrutura, as relações com a música, os sentimentos estéticos do bicho, as suas idéias e reminiscências. Feita essa análise filológica e psicológica, entrei propriamente na história dos canários, na origem deles, primeiros séculos, geologia e flora das ilhas Canárias, se ele tinha conhecimento da navegação, etc. Conversávamos longas horas, eu escrevendo as notas, ele esperando, saltando, trilando.

Não tendo mais família que dois criados, ordenava lhes que não me interrompessem, ainda por motivo de alguma carta ou telegrama urgente, ou visita de importância. Sabendo ambos das minhas ocupações científicas, acharam natural a ordem, e não suspeitaram que o canário e eu nos entendíamos.

Não é mister dizer que dormia pouco, acordava duas e três vezes por noite, passeava à toa, sentia me com febre. Afinal tornava ao trabalho, para reler, acrescentar, emendar. Retifiquei mais de uma observação, — ou por havê-la entendido mal, ou porque ele não a tivesse expresso claramente. A definição do mundo foi uma delas.

Três semanas depois da entrada do canário em minha casa, pedi-lhe que me repetisse a definição do mundo.

— O mundo, respondeu ele, é um jardim assaz largo com repuxo no meio, flores e arbustos, alguma grama, ar claro e um pouco de azul por cima; o canário, dono do mundo, habita uma gaiola vasta, branca e circular, donde mira o resto. Tudo o mais é ilusão e mentira.

Também a linguagem sofreu algumas retificações, e certas conclusões, que me tinham parecido simples, vi que eram temerárias.

Não podia ainda escrever a memória que havia de mandar ao Museu Nacional, ao Instituto Histórico e às universidades alemãs, não porque faltasse matéria, mas para acumular primeiro todas as observações e ratificá-las. Nos últimos dias, não saía de casa, não respondia a cartas, não quis saber de amigos nem parentes. Todo eu era canário. De manhã, um dos criados tinha a seu cargo limpar a gaiola e pôr lhe água e comida. O passarinho não lhe dizia nada, como se soubesse que a esse homem faltava qualquer preparo científico. Também o serviço era o mais sumário do mundo; o criado não era amador de pássaros.

Um sábado amanheci enfermo, a cabeça e a espinha doíam-me. O médico ordenou absoluto repouso; era excesso de estudo, não devia ler nem pensar, não devia saber sequer o que se passava na cidade e no mundo. Assim fiquei cinco dias; no sexto levantei-me, e só então soube que o canário, estando o criado a tratar dele, fugira da gaiola. O meu primeiro gesto foi para esganar o criado; a indignação sufocou-me, caí na cadeira, sem voz, tonto. O culpado defendeu-se, jurou que tivera cuidado, o passarinho é que fugira por astuto.

— Mas não o procuraram?

Procuramos, sim, senhor; a princípio trepou ao telhado, trepei também, ele fugiu, foi para uma árvore, depois escondeu-se não sei onde. Tenho indagado desde ontem, perguntei aos vizinhos, aos chacareiros, ninguém sabe nada.

Padeci muito; felizmente, a fadiga estava passada, e com algumas horas pude sair à varanda e ao jardim. Nem sombra de canário. Indaguei, corri, anunciei, e nada. Tinha já recolhido as notas para compor a memória, ainda que truncada e incompleta, quando me sucedeu visitar um amigo, que ocupa uma das mais belas e grandes chácaras dos arrabaldes. Passeávamos nela antes de jantar, quando ouvi trilar esta pergunta:

— Viva, Sr. Macedo, por onde tem andado que desapareceu?

Era o canário; estava no galho de uma árvore. Imaginem como fiquei, e o que lhe disse. O meu amigo cuidou que eu estivesse doido; mas que me importavam cuidados de amigos?

Falei ao canário com ternura, pedi-lhe que viesse continuar a conversação, naquele nosso mundo composto de um jardim e repuxo, varanda e gaiola branca e circular.

— Que jardim? que repuxo?

— O mundo, meu querido.

— Que mundo? Tu não perdes os maus costumes de professor. O mundo, concluiu solenemente, é um espaço infinito e azul, com o sol por cima.

Indignado, retorqui-lhe que, se eu lhe desse crédito, o mundo era tudo; até já fora uma loja de belchior.

— De belchior? trilou ele às bandeiras despregadas. Mas há mesmo lojas de belchior?

Texto extraído do livro “O Alienista e outros contos”, Editora Moderna – São Paulo, 1995, pág. 73.

Machado de Assis - * 21 /06/1839 Rio de Janeiro (RJ) / + 29 /09/1908 Rio de Janeiro (RJ)


Frases de Machado de Assis


  • Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.”
  • Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!
  • Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução.”
  • Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar.”
  • Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam, de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram.”
  • Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento.”
  • O capital existe, se forma e sobrevive a custa da sociedade que trabalha e nem sempre é recompensada pelos lucros que gera.”
  • O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede. Conheço um que já devorou três gerações da minha família.”
  • Das qualidades necessárias ao jogo de xadrez, duas essenciais: vista pronta e paciência beneditina, qualidades preciosas na vida que também é um xadrez, com seus problemas e partidas, umas ganhas, outras perdidas, outras nulas.”
  • O esperado nos mantém fortes, firmes e em pé. O inesperado nos torna frágeis e propõe recomeços.”
  • Pois o silêncio não tem fisionomia, mas as palavras muitas faces...
  • Há coisas que melhor se dizem calando. As feridas do coração, como as do corpo, deixam cicatrizes. Nossos corpos são nossos jardins, cujos jardineiros são nossas vontades.”
  • Descobri uma lei sublime, a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência.”

sábado, 25 de outubro de 2025

Huayrãn Ribeiro / Pela batuta do bem

Um homem pára de respeitar outro homem a partir do momento que passa a ter inveja desse outro homem. Um homem que passa a ter inveja de outro homem é o mesmo que assinar um atestado de incompetência. Um homem incompetente e invejoso não trabalha, não produz. A sua mente vive em função da derrota de homens sérios, inteligentes, corretos, em outras palavras, é a favor do contra. Por isso que ser inteligente se torna uma tarefa das mais solitárias. Por isso não temos heróis do bem. Nossos heróis são os vilões. Nossos heróis são do mau. Fazer as coisas de maneira correta dá muito trabalho e um homem incompetente e invejoso é naturalmente contra o trabalho. Fazer as coisas de maneira correta implica em observar as leis e um homem incompetente e invejoso é contra as leis e principalmente contra aqueles que tentam cumpri-las e/ou aplicá-las. Vivemos a era das permissividades e do "politicamente correto" ou incorreto (isso varia) de acordo com as conveniências. Vivemos uma era sem precedentes, a era das idéias. Idéias com a pretensão de iludir e como que num passe de mágica tentar contrariar os fatos. Mas fatos são fatos. Contra os fatos as palavras são palavras nada mais do que palavras e esses passes de mágica serão mais cedo ou mais tarde desmascarados por algum Mister M de plantão. E quando essa farsa acabar? Quando todos os pilares da delinqüência forem derrubados? Quando todos os vilões forem eliminados o que vai imperar na mente de todos os homens? A ordem, a moral, a ética, o respeito, a honestidade, a seriedade, o conhecimento de causa e consequentemente a inteligência e a competência regidas pela batuta do bem.

sábado, 18 de outubro de 2025

Huayrãn Ribeiro / Resignação

Eu já ouvi falar em resignação, grandeza e dignidade. Eu já ouvi falar em pessoas resignadas; a história da humanidade está cheia de grandes exemplos de renúncia espontânea, pessoas que tiveram muita coragem para enfrentar todos os tipos de sorte e desgraças. A história da humanidade está repleta de exemplos de pessoas que tinham autoridade moral, respeitabilidade, nobreza. Pessoas que não se curvaram diante de seus algozes e caíram de pé.
Sir, Walter Raleigh, já sobre o patíbulo, pediu para ver o machado do carrasco. Examinando o fio do corte, disse sorrindo:
- O remédio é amargo, mas cura todos os males.
Quando Sydney foi condenado a ser enforcado e esquartejado, Jeffries, seu juiz e verdugo, exortava-o a que sofresse com resignação, Sydney estendendo-lhe seu braço, respondeu:
- Toma-me o pulso e verás se meu sangue está agitado.
Antes de subir ao patíbulo Ana Bolena escreveu ao rei Henrique VIII, seu marido:
- “Tens sempre te ocupado de minha elevação e de minha grandeza e nem sequer hoje perdes de vista este teu cuidado: simples senhorita fizeste-me marquesa de Pimbrock, de marquesa, rainha, e de rainha hás-me elevado neste momento à categoria de santa”.
Subiu ao patíbulo ricamente vestida e com grande firmeza e, tendo notado que algumas damas sorriam maliciosamente, disse-lhes:
- Morro rainha, isto é tudo.
Quando Maria Stuart subiu ao cadafalso, o carrasco pôs a mão sobre sua cabeleira.
- Meu amigo, disse-lhe a rainha, não me toques.
Em seguida chamou uma das damas que a serviam, a qual lhe tirou o fino véu preto que levava, as travessas e os outros adornos.
Não pôde impedir, entretanto, que o verdugo lhe arrancasse a parte superior de seu vestido, de maneira que ficou meio despida na presença de quatrocentas ou de quinhentas pessoas, às quais pediu perdão pela forma indecorosa em que se apresentava.
Não estou habituada, disse, a esta vestimenta nem a este pajem.
Resumo - Se você está sofrendo, supere sua dor com heroísmo, porque só os vencedores conseguirão o prêmio que se encontra à espera deles.
Tenha muita calma, não se apresse, mas também não desanime.
Supere sua dor com heroísmo, busque alegria e viva com a sensação otimista daquele que sabe lutar sem desfalecimento.
E verifique que sua vida se transformará num hino de ação de graças ao Criador.

sábado, 11 de outubro de 2025

Ainda bem que o Campinarte não é uma unanimidade


Setembro é um mês pra lá de especial para o Campinarte Dicas e Fatos. É o mês de aniversário do nosso informativo que foi fundado exatamente no dia 27/09, o ano era 1996.
Nessa data [baseado numa pesquisa realizada em Nova Campinas] chegamos à conclusão que o conjunto carecia de um guia comercial e foi o que fizemos – lançamos o Campinarte Dá a Dica – o primeiro guia comercial de Nova Campinas.
Bem... de lá pra cá tantas coisas aconteceram: em 1997 o nosso guia passa a ser publicado no formato tablóide; em Outubro desse mesmo ano passa a se chamar Campinarte Dicas e Fatos e a partir daí foi passando por todas as etapas que um informativo comunitário tem que passar para conquistar o mais difícil de todos os públicos: o povão de sua própria terra.
Dizem que ninguém é profeta em sua própria terra, dizem também que toda regra tem a sua exceção e o Campinarte [que felizmente não é uma unanimidade] contrariou todos esses ditos populares e conquistou um universo de leitores dentro do conjunto. Isso nos deu confiança para seguir em frente e cá estamos... entrando no décimo quarto ano trabalhando para que o nosso informativo seja igualzinho aos bons, um informativo no mínimo útil.
O Campinarte se orgulha de ter se transformado num produto que vai além de uma simples marca, conseguimos imprimir um conceito...
O Campinarte está aberto a todos os segmentos comunitários...
O Campinarte se orgulha de não receber subvenção de nenhuma prefeitura ou governo estadual e muito menos do governo federal...
O Campinarte não é uma ONG, associação ou fundação...
O Campinarte não é bancado por nenhuma denominação religiosa...
O Campinarte não é bancado por nenhum partido político, milícia ou traficantes...
O Campinarte não tem se quer agenciadores ou vendedores de anúncios espalhados por aí – se por um acaso aparecer alguém querendo se passar por agenciador do Campinarte chame a polícia...
O Campinarte circula graças a um grupo de colaboradores que também não tem nenhum vinculo contratual... são pessoas [físicas ou jurídicas] que contribuem espontaneamente porque reconhecem a importância de um veículo como o Campinarte para as comunidades.
O Campinarte Dicas e Fatos é grato, sim, a esses colaboradores que conheceram e reconheceram a importância da educação comunitária através da informação.
A todos vocês que colaboram [direta ou indiretamente] com o nosso informativo, no dia 27 de Setembro, vamos cantar em alto e bom som: “Parabéns para o Campinarte / Nessa data querida / Muitas felicidades / Muitos anos de vida!

sábado, 4 de outubro de 2025

Obrigado por tudo - Gabriel Henrique de Lima


Quantos fizeram tanto e nunca receberam o verdadeiro reconhecimento? Quantos fizeram tanto e nunca tiveram o mínimo de reconhecimento? Você (por acaso) já parou para pensar que essas pessoas maravilhosas esquecidas pela história no fundo só queriam ouvir um MUITO OBRIGADO? Bastaria um simples OBRIGADO POR TUDO!
Dizem que nunca é tarde para se corrigir um erro. O objetivo dessa seção é pinçar aquele personagem a quem todos ficamos devendo o justo reconhecimento pelos serviços prestados.
É com muita honra que o Campinarte Dicas e Fatos diz, OBRIGADO POR TUDO, a Gabriel Henrique de Lima.

Gabriel Henrique de Lima - Nasceu em 22 de Setembro de 1930 na cidade de Angicos no Rio Grande do Norte e faleceu no dia 21 de Setembro de 2002 em Duque de Caxias, RJ.
Filho de Henrique de Lima e de Maria Alice da Conceição os quais perdeu muito cedo. Gabriel tinha mais quatro irmãos, mas com a morte dos pais acabaram se dispersando.
Gabriel, até os 18 anos foi criado pelo padrinho Aluísio Alves. Mas, antes, ainda com 14 anos, trabalhou na Tribuna do Norte e a partir daí em várias outras gráficas.
Gabriel de Lima aos 18 anos muda-se para o Rio de Janeiro indo morar numa pensão no bairro de Olaria.
O tempo foi passando e em 1957 era tipógrafo da Tribuna da Imprensa e do Diário de Notícias.
Em 1958 casou-se com Maria do Carmo e teve seis filhos. Formou-se em publicidade pela Associação Fluminense de Jornalistas e logo em seguida começa a trabalhar em vários jornais do Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, O Balcão, etc.
Em 1985 mudou-se para Nova Campinas em Duque de Caxias. Naquela época o conjunto era carente de muitas providências básicas: transporte, iluminação, comércio, educação, enfim, toda uma base para que aquela imensa população tivesse o mínimo de conforto. É justamente nessa fase que a participação de Gabriel de Lima tem que ser louvada - a sua participação foi bastante ativa na busca de melhorias para o conjunto e Gabriel usava de todas as armas que dispunha para cobrar das autoridades mais rapidez e principalmente mais eficiência. Gabriel realmente não poupava esforços e usava a sua influência nos jornais que trabalhava para através de artigos, crônicas e críticas, denunciar aqueles que atravancavam a vida do povo de Nova Campinas.
Gabriel Henrique de Lima foi mais um exemplo de trabalhador que largou a sua terra natal para arriscar a sorte numa cidade grande. Podemos dizer que foi um vencedor. Gabriel era movido pela mesma emoção que sempre moveu os grandes idealistas. Para relatar todos os seus esforços e todos os seus feitos precisaríamos de muito mais espaço. Este é só o pontapé inicial, em breve voltaremos a falar sobre este verdadeiro agente comunitário, Gabriel Henrique de Lima.
Para encerrar fica aqui uma sugestão do Campinarte: que seja criada em Nova Campinas uma Biblioteca ou uma Sala de Leitura que leve o nome daquele a quem todos nesse momento dizemos esse Obrigado por tudo – Gabriel Henrique de Lima.

sábado, 27 de setembro de 2025

Modificar o meu modo de pensar

Se eu não quiser ficar doente ou se por um acaso eu já não estiver me sentido bem, a única coisa que eu vou precisar fazer é modificar o meu modo de pensar. Tenho que parar de queixar-me de doenças e outras coisas que por ventura possam vir a me fazer mal. Esse possível mal-estar pode ser agravado pela minha emissão mental negativa. Pensamentos negativos agravam qualquer doença, qualquer mal-estar, por menor que seja. Eu posso curar-me expulsando o baixo astral repousando a minha mente em coisas úteis e saudáveis. Preciso ter a mente quieta. A menta agitada não pode pensar direito. O cérebro cansado turva o pensamento. E o pensamento é a maior força criadora da face da TERRA.
O que eu não posso permitir que povoe a minha mente são sugestões de desânimo. Sempre existe uma saída para qualquer problema, por mais complexo e difícil que pareça. Todo problema tem solução e a solução está dentro do problema.
Se eu não quiser ficar doente ou se por um acaso eu já não estiver me sentido bem, a única coisa que eu vou precisar fazer é modificar o meu modo de pensar. Isso implica em não ficar ansioso e preocupado para não atrair moléstias. A ansiedade é um fator bioquímico, que influencia as secreções glandulares, produzindo demasiada adrenalina, que estimula em exagero o sistema nervoso. O nervosismo prejudica fundamentalmente a saúde.
A menta agitada não pode pensar direito. E o pensamento é a maior força criadora da face da TERRA. A única coisa que eu vou precisar fazer é modificar o meu modo de pensar.