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O SHOW DO COMÉRCIO DO CAMPINARTE

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Religião — como começou? (Parte 6) / Judaísmo — a busca de Deus através das Escrituras e da tradição

MOISÉS, Jesus, Mahler, Marx, Freud e Einstein — o que todos eles tinham em comum? Todos eram judeus e, de diferentes maneiras, influíram na história e na cultura da humanidade. Bem obviamente, os judeus têm estado em evidência por milhares de anos. A própria Bíblia é um testemunho disso.
Diferente de outras antigas religiões e culturas, o judaísmo tem suas raízes na história, não na mitologia. Mas, alguns talvez perguntem: Sendo os judeus uma minoria tão pequena, por que nos deveríamos interessar pela sua religião, o judaísmo?
Por Que o Judaísmo Deve Interessar-nos?Uma razão é que as raízes da religião judaica remontam a cerca de 4.000 anos na história, e outras grandes religiões estão endividadas para com suas Escrituras, em maior ou menor grau. O cristianismo, fundado por Jesus (hebraico: Ye·shú·a‛), um judeu do primeiro século, tem suas raízes nas Escrituras Hebraicas. E, como a simples leitura do Qur’ān (Alcorão) mostrará, o islamismo também deve muito a essas escrituras. (Qur’ān, surata 2:49-57; 32:23, 24) Assim, ao examinarmos a religião judaica, examinamos também as raízes de centenas de outras religiões e seitas.
Uma segunda e vital razão é que a religião judaica provê o homem de um elo essencial na sua busca do Deus verdadeiro. Segundo as Escrituras Hebraicas, Abrão, o antepassado dos judeus, já adorava o Deus verdadeiro aproximadamente 4.000 anos atrás. Razoavelmente, perguntamos: Como foi que surgiram os judeus e a sua fé? — Gênesis 17:18.
Como Se Originaram os Judeus?Falando-se de modo geral, o povo judeu descende de um antigo ramo da raça semítica, de língua hebraica. (Gênesis 10:1, 21-32; 1 Crônicas 1:17-28, 34; 2:1, 2) Uns 4.000 anos atrás, seu antepassado Abrão emigrou da próspera metrópole de Ur dos Caldeus, na Suméria, para a terra de Canaã, sobre a qual Deus declarara: “Vou aquinhoar essa terra à tua descendência.” (Gênesis 11:31–12:7) Fala-se dele como “Abrão, o hebreu”, em Gênesis 14:13, embora seu nome tenha sido mais tarde mudado para Abraão. (Gênesis 17:4-6) A partir dele os judeus traçam uma linha de descendentes que começa com seu filho Isaque e seu neto Jacó, cujo nome foi mudado para Israel. (Gênesis 32:27-29) Israel tinha 12 filhos homens, que se tornaram os fundadores das 12 tribos. Um destes era Judá, de cujo nome posteriormente se derivou a palavra “judeu”. — 2 Reis 16:6.
Com o tempo, o termo “judeu” foi aplicado a todos os israelitas, não apenas a um descendente de Judá. (Ester 3:6; 9:20) Visto que os registros genealógicos judaicos foram destruídos em 70 EC, quando os romanos arrasaram Jerusalém, nenhum judeu hoje pode corretamente determinar de que tribo descende. Não obstante, no decorrer dos milênios, a antiga religião judaica se desenvolveu e mudou. Hoje, o judaísmo é praticado por milhões de judeus na República de Israel e na Diáspora (dispersão por todo o mundo). Qual é a base dessa religião?
Moisés, a Lei e a NaçãoEm 1943 AEC, Deus escolheu Abrão para ser seu servo especial e mais tarde fez-lhe um solene juramento devido à sua fidelidade em dispor-se a oferecer seu filho Isaque em sacrifício, ainda que esse sacrifício não se consumasse. (Gênesis 12:1-3; 22:1-14) Naquele juramento, Deus disse: “Juro por Mim Mesmo, o SENHOR [hebraico: יהוה, YHWH] declara: Por teres feito isto, e não teres negado teu filho, teu dileto, dar-te-ei Minha bênção e farei teus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu . . . Todas as nações da terra se abençoarão a si mesmas por meio de teus descendentes [“semente”, Al, rev. e corr.], porque obedeceste a Minha ordem.” Este voto juramentado foi repetido ao filho e ao neto de Abraão, passando então à tribo de Judá e à linhagem de Davi. Este conceito estritamente monoteísta de um Deus pessoal tendo tratos diretos com humanos era ímpar naquele mundo antigo, e veio a formar a base da religião judaica. — Gênesis 22:15-18; 26:3-5; 28:13-15; Salmo 89:4, 5, 29, 30, 36, 37 (Salmo 89:3, 4, 28, 29, 35, 36, NM).
Para cumprir suas promessas feitas a Abraão, Deus lançou o fundamento para uma nação firmando um pacto especial com os descendentes de Abraão. Este pacto foi instituído por meio de Moisés, o grande líder hebreu e mediador entre Deus e Israel. Quem era Moisés, e por que é ele tão importante para os judeus? O relato bíblico de Êxodo nos diz que ele nasceu no Egito (1593 AEC) de pais israelitas que eram escravos no cativeiro junto com o restante de Israel. Foi ele “a quem o SENHOR escolheu” para conduzir o Seu povo à liberdade em Canaã, a Terra Prometida. (Deuteronômio 6:23; 34:10) Moisés cumpriu o papel vital de mediador do pacto da Lei dado por Deus a Israel, além de ser seu profeta, juiz, líder e historiador. — Êxodo 2:1–3:22.
A Lei que Israel aceitou consistia em Dez Palavras, ou Mandamentos, e mais de 600 leis que formavam um extensivo código de diretrizes e orientações para a conduta diária. (Veja quadro, página 211.) Envolvia o temporal e o sagrado — os requisitos físicos e morais, bem como a adoração de Deus.
Este pacto da Lei, ou constituição religiosa, deu forma e substância à fé dos patriarcas. Em resultado, os descendentes de Abraão se tornaram uma nação dedicada ao serviço de Deus. Assim, a religião judaica começou a tomar contornos definidos, e os judeus se tornaram uma nação organizada para a adoração e o serviço de seu Deus. Em Êxodo 19:5, 6, Deus lhes prometeu: “Se Me obedecerdes fielmente e guardardes Meu pacto, . . . sereis para Mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.” Assim, os israelitas tornar-se-iam um ‘povo escolhido’ para servir aos propósitos de Deus. Contudo, o cumprimento das promessas do pacto estava sujeito à condição “se Me obedecerdes”. Essa nação dedicada estava então obrigada para com seu Deus. Assim, numa data posterior, (oitavo século AEC), Deus podia dizer aos judeus: “Minhas testemunhas sois vós — declara o SENHOR [hebraico: יהוה, YHWH] — Meu servo, a quem escolhi.” — Isaías 43:10, 12.
Uma Nação com Sacerdotes, Profetas e Reis
Enquanto a nação de Israel ainda estava no deserto e rumando para a Terra Prometida, foi estabelecido um sacerdócio na linhagem do irmão de Moisés, Arão. Uma grande tenda portátil, ou tabernáculo, tornou-se o centro da adoração e dos sacrifícios israelitas. (Êxodo, capítulos 26-28) Com o tempo, a nação de Israel chegou à Terra Prometida, Canaã, e conquistou-a, como Deus ordenara. (Josué 1:2-6) Por fim foi estabelecido um reinado terrestre e, em 1077 AEC, Davi, da tribo de Judá, tornou-se rei. Com o seu governo, tanto o reinado como o sacerdócio foram firmemente estabelecidos num novo centro nacional, Jerusalém. — 1 Samuel 8:7.
Depois da morte de Davi, seu filho Salomão construiu um magnífico templo em Jerusalém, que substituiu o tabernáculo. Visto que Deus fizera um pacto com Davi, de que o reinado permaneceria para sempre na sua linhagem, entendia-se que um Rei ungido, o Messias, viria algum dia da linhagem de descendentes de Davi. As profecias indicavam que através desse Rei messiânico, ou “semente”, Israel e todas as nações teriam um governo perfeito. (Gênesis 22:18, Al) Esta esperança criou raízes, e a natureza messiânica da religião judaica tornou-se claramente cristalizada. — 2 Samuel 7:8-16; Salmo 72:1-20; Isaías 11:1-10; Zacarias 9:9, 10.
Contudo, os judeus deixaram-se influenciar pela falsa religião dos cananeus e de outras nações ao redor. Em resultado, eles violaram sua relação pactuada com Deus. Para corrigi-los e guiá-los de volta, Jeová enviou uma série de profetas que transmitiram as Suas mensagens ao povo. Assim, as profecias se tornaram outro aspecto ímpar da religião dos judeus e constituem grande parte das Escrituras Hebraicas. De fato, 18 livros das Escrituras Hebraicas têm nome de profeta. — Isaías 1:4-17.
Entre tais profetas se destacam Isaías, Jeremias e Ezequiel, que avisaram a respeito da iminente punição que Jeová traria contra a nação por causa de sua adoração idólatra. Essa punição ocorreu em 607 AEC quando, devido à apostasia de Israel, Jeová permitiu que Babilônia, a então potência mundial dominante, derrubasse Jerusalém e seu templo e levasse a nação ao cativeiro. De modo que os profetas estavam certos no que haviam predito, e o exílio de 70 anos de Israel, abrangendo a maior parte do sexto século AEC, é assunto de registro histórico. — 2 Crônicas 36:20, 21; Jeremias 25:11, 12; Daniel 9:2.
Em 539 AEC, Ciro, o persa, derrotou Babilônia e permitiu que os judeus reocupassem a sua terra e reconstruíssem o templo em Jerusalém. Embora um restante reagisse favoravelmente, a maioria dos judeus permaneceu sob a influência da sociedade babilônica. Mais tarde, os judeus foram afetados pela cultura persa. Assim, surgiram colônias judaicas no Oriente Médio e em volta do Mediterrâneo. Em cada comunidade veio a existir uma nova forma de adoração que envolvia a sinagoga, um centro congregacional para os judeus em cada cidade. Naturalmente, esse arranjo diminuiu a ênfase no templo reconstruído em Jerusalém. Os amplamente dispersos judeus eram agora realmente uma Diáspora. — Esdras 2:64, 65.
O Judaísmo Emerge com um Manto GregoPor volta do quarto século AEC, a comunidade judaica estava em estado de fluxo, à mercê das ondas duma cultura não-judaica que engolfava o mundo mediterrâneo e além. As águas emanavam da Grécia, e o judaísmo emergiu delas com um manto helênico.
Em 332 AEC, o general grego Alexandre, o Grande, conquistou o Oriente Médio numa vitória relâmpago e foi bem-recebido pelos judeus quando chegou à Jerusalém. Os sucessores de Alexandre continuaram seu plano de helenização, imbuindo todas as partes do império com a língua, a cultura e a filosofia gregas. Em resultado, as culturas grega e judaica passaram por um processo de fusão que viria a ter surpreendentes resultados.
Os judeus da Diáspora passaram a falar grego em vez de hebraico. Assim, por volta do começo do terceiro século AEC, foi iniciada a primeira tradução das Escrituras Hebraicas para o grego, chamada de Septuaginta, e, através dela, muitos gentios passaram a respeitar a religião dos judeus e a familiarizar-se com ela, alguns até mesmo se convertendo. Os judeus, por outro lado, tornavam-se entendidos em pensamento grego e alguns até mesmo tornaram-se filósofos, algo inteiramente novo para os judeus. Um exemplo é Filo de Alexandria, do primeiro século EC, que tentou explicar o judaísmo em termos de filosofia grega, como se os dois expressassem as mesmas derradeiras verdades.
Resumindo esse período de reciprocidade entre as culturas grega e judaica, o autor judeu Max Dimont diz: “Enriquecidos com o pensamento platônico, a lógica aristotélica e a ciência euclidiana, os peritos judeus passaram a considerar a Tora com novos instrumentos . . . Adicionaram a lógica grega à revelação judaica.” Os eventos que ocorreriam sob o domínio romano, que absorveu o Império Grego, e daí Jerusalém, no ano 63 AEC, pavimentariam o caminho para mudanças ainda mais significativas.
O Judaísmo sob o Domínio RomanoO judaísmo do primeiro século da Era Comum se encontrava num estágio ímpar. Max Dimont diz que estava espremido entre “a mente da Grécia e a espada de Roma”. As expectativas judaicas eram elevadas, devido à opressão política e às interpretações de profecias messiânicas, especialmente as de Daniel. Os judeus estavam divididos em facções. Os fariseus frisavam uma lei oral (veja quadro, página 221), em vez de sacrifícios no templo. Os saduceus enfatizavam a importância do templo e do sacerdócio. E havia ainda os essênios, os zelotes e os herodianos. Havia desacordo entre todos, religiosa e filosoficamente. Líderes judeus eram chamados de rabinos (mestres, instrutores), os quais, por causa de seu conhecimento da Lei, aumentaram em prestígio e se tornaram um novo tipo de líderes espirituais.
No entanto, as divisões internas e externas do judaísmo continuaram, especialmente na terra de Israel. Por fim, irrompeu rebelião aberta contra Roma e, em 70 EC, tropas romanas sitiaram Jerusalém, desolaram a cidade, queimaram totalmente o seu templo e dispersaram seus habitantes. Por fim, Jerusalém foi decretada uma área totalmente vedada aos judeus. Sem templo, sem terra, com seu povo disperso por todo o Império Romano, o judaísmo necessitava de uma nova expressão religiosa para sobreviver.
Com a destruição do templo, os saduceus desapareceram, e a lei oral que os fariseus haviam promovido tornou-se a peça central de um novo judaísmo rabínico. Estudos mais intensos, oração e obras de piedade substituíram os sacrifícios no templo e as peregrinações. Assim, o judaísmo podia ser praticado em qualquer lugar, em qualquer ocasião, em qualquer ambiência cultural. Os rabinos assentaram por escrito essa lei oral, além de lhe adicionarem comentários, e daí comentários aos comentários, tudo o que, em conjunto, tornou-se conhecido como Talmude.
O que resultou dessas variadas influências? Max Dimont diz em seu livro Jews, God and History (Os Judeus, Deus e a História) que, embora os fariseus carregassem a tocha da ideologia e religião judaicas, “a tocha em si havia sido acesa pelos filósofos gregos”. Ao passo que grande parte do Talmude era altamente legalista, suas ilustrações e explanações refletiam a clara influência da filosofia grega. Por exemplo, conceitos religiosos gregos, como a alma imortal, foram expressos em termos judaicos. De fato, nessa nova era rabínica, a veneração do Talmude — na época já uma fusão de filosofia legalista e grega — aumentou entre os judeus até que, por volta da Idade Média, o Talmude veio a ser reverenciado pelos judeus mais do que a própria Bíblia.
O Judaísmo na Idade MédiaDurante a Idade Média (de cerca de 500 a 1500 EC), surgiram duas diferentes comunidades judaicas — os judeus sefárdicos, que floresceram sob o domínio muçulmano na Espanha, e os judeus asquenazes, na Europa Central e Oriental. Ambas as comunidades produziram peritos rabínicos, cujos escritos e pensamentos formam a base para a interpretação religiosa judaica até os dias de hoje. Curiosamente, muitos dos costumes e práticas religiosas comuns hoje no judaísmo realmente tiveram início na Idade Média.
No século 12, começou uma onda de expulsões de judeus de vários países. Conforme o escritor israelense Abba Eban explica em Meu Povo — A História dos Judeus (em inglês): “Em todos os países . . . submetidos à influência unilateral da Igreja Católica, a história é a mesma: horrível degradação, tortura, matança e expulsão.” Por fim, em 1492, a Espanha, que mais uma vez viera a estar sob domínio católico, seguiu o exemplo e ordenou a expulsão de todos os judeus de seu território. Assim, por volta do fim do século 15, os judeus haviam sido expulsos de praticamente toda a Europa Ocidental, fugindo para a Europa Oriental e países em volta do Mediterrâneo.
Durante os séculos de opressão e perseguição, muitos auto-proclamados Messias surgiram entre os judeus em diferentes partes do mundo, todos eles recebendo um certo grau de aceitação, mas terminando em desilusão. Por volta do século 17, faziam-se necessárias novas iniciativas para revigorar os judeus e tirá-los desse período obscuro. Em meados do século 18, surgiu uma resposta ao desespero que o povo judeu sentia. Era o hassidismo, uma mistura de misticismo e êxtase religiosa na devoção e atividades diárias. Em contraste, por volta da mesma época, o filósofo Moisés Mendelssohn, um judeu-alemão, ofereceu ainda outra solução, o caminho do Hascalá, ou esclarecimento, que havia de conduzir ao que é historicamente considerado o “Judaísmo Moderno”.
Do “Esclarecimento” ao Sionismo
Segundo Moisés Mendelssohn (1729-86), os judeus seriam aceitos se saíssem de sob as restrições do Talmude e se ajustassem à cultura Ocidental. Em seus dias, ele se tornou um dos judeus mais respeitados pelo mundo gentio. Contudo, renovadas irrupções de violento anti-semitismo no século 19, especialmente na Rússia “cristã”, desiludiram os seguidores do movimento, e muitos então se concentraram em encontrar um refúgio político para os judeus. Rejeitaram a idéia de um Messias pessoal que conduzisse os judeus de volta a Israel e passaram a trabalhar pelo estabelecimento de um Estado judaico através de outros meios. Isto então se tornou o conceito de sionismo: “A secularização do . . . messianismo judaico”, conforme definiu certo estudioso do assunto.
O assassinato de cerca de seis milhões de judeus europeus no Holocausto de inspiração nazista (1935-45) deu ao sionismo seu ímpeto final e granjeou-lhe muita simpatia no mundo todo. O sonho sionista realizou-se em 1948 com o estabelecimento do Estado de Israel, o que nos traz ao judaísmo de nossos dias e à pergunta: Em que crêem os judeus atuais?
Deus É um Só
Dito de maneira simples, o judaísmo é a religião de um povo. Por conseguinte, o converso torna-se parte do povo judeu bem como da religião judaica. É uma religião monoteísta no mais estrito sentido, e sustenta que Deus intervém na história humana, especialmente com relação aos judeus. A adoração judaica envolve várias festividades anuais e diversos costumes. (Veja quadro, páginas 230-1.) Embora não haja credos ou dogmas aceitos por todos os judeus, a confissão da unicidade de Deus, conforme expressa na Shema, uma oração baseada em Deuteronômio 6:4 (JP), é um componente central da adoração na sinagoga: “OUVE, Ó ISRAEL: O SENHOR NOSSO DEUS, O SENHOR É UM SÓ.”
Essa crença num Deus único foi repassada para o cristianismo e para o islamismo. Segundo disse o Dr. J. H. Hertz, um rabino: “Este sublime pronunciamento de absoluto monoteísmo foi uma declaração de guerra contra todo politeísmo . . . Da mesma maneira, a Shema exclui a trindade do credo cristão como violação da Unidade de Deus.” Mas, consideremos a seguir a crença judaica sobre a vida após a morte.
Morte, Alma e RessurreiçãoUma das crenças básicas do moderno judaísmo é a de que o homem tem uma alma imortal que sobrevive à morte do corpo. Mas, origina-se isto da Bíblia? A Enciclopédia Judaica (em inglês) admite francamente: “Foi provavelmente sob a influência grega que a doutrina da imortalidade da alma se introduziu no judaísmo.” Mas isso criou um dilema doutrinal, conforme a mesma fonte declara: “Basicamente, as duas crenças, a ressurreição e a imortalidade da alma, são contraditórias. A primeira se refere a uma ressurreição coletiva no fim dos dias, i.e., que os mortos que dormem na terra se levantarão da sepultura, ao passo que a outra se refere ao estado da alma após a morte do corpo.” Como foi resolvido esse dilema na teologia judaica? “Sustentava-se que quando o indivíduo morria a sua alma ainda vivia em outro domínio (isto fez surgir todas as crenças a respeito de céu e inferno), ao passo que o seu corpo jazia na sepultura para esperar a ressurreição física de todos os mortos aqui na terra.”
O professor universitário Arthur Hertzberg escreve: “Na própria Bíblia [hebraica] a arena da vida do homem é este mundo. Não existe doutrina de céu e inferno, apenas um crescente conceito de uma derradeira ressurreição dos mortos no fim dos dias.” Trata-se de uma simples e correta explicação do conceito bíblico, a saber, que “os mortos nada sabem . . . Pois não existe ação, nem raciocínio, nem aprendizagem, nem sabedoria no Seol [sepultura comum da humanidade], para onde tu vais”. — Eclesiastes 9:5, 10; Daniel 12:1, 2; Isaías 26:19.
Segundo a Enciclopédia Judaica, “no período rabínico, a doutrina da ressurreição dos mortos é considerada uma das doutrinas centrais do judaísmo” e “deve ser distinguida da crença na . . . imortalidade da alma”. Hoje, contudo, ao passo que a imortalidade da alma é aceita por todas as facções do judaísmo, a ressurreição dos mortos não é.
Em contraste com a Bíblia, o Talmude, influenciado pelo helenismo, está repleto de explanações e histórias e até mesmo de descrições da alma imortal. Posterior literatura mística judaica, a Cabala, vai ao ponto de ensinar a reencarnação (transmigração de almas), que é basicamente um antigo ensinamento hindu. Atualmente, em Israel, isto é amplamente aceito como ensinamento judaico, e desempenha também um importante papel na crença e na literatura hassídica. Por exemplo, Martin Buber inclui em seu livro Histórias dos Hassidins — Os Mestres Posteriores (em inglês) uma história a respeito da alma, da escola de Elimeleque, um rabino de Lizhensk: “No Dia de Expiação, quando o rabino Abraão Yehoshua recitava o Avodá, a oração que reproduz o serviço do sumo sacerdote no Templo de Jerusalém, e chegava ao trecho: ‘E assim ele falou’, ele jamais dizia essas palavras, mas sim: ‘E assim eu falei.’ Pois ele não se esquecera do tempo em que a sua alma estava no corpo de um sumo sacerdote em Jerusalém.”
O judaísmo Reformista tem ido ao ponto de rejeitar a crença na ressurreição. Tendo removido essa palavra dos livros de oração reformistas, reconhece apenas a crença na alma imortal. Quão mais claro é o conceito bíblico, conforme expresso em Gênesis 2:7: “O SENHOR Deus formou o homem do pó do solo, e soprou em suas narinas o fôlego de vida; e o homem tornou-se uma alma vivente.” (JP) A combinação do corpo e do espírito, ou força de vida, constitui “uma alma vivente”. (Gênesis 2:7; 7:22; Salmo 146:4) Inversamente, quando o humano pecador morre, a alma morre. (Ezequiel 18:4, 20) Assim, ao morrer, o homem cessa de ter qualquer existência consciente. A sua força de vida retorna a Deus que a deu. (Eclesiastes 3:19; 9:5, 10; 12:7) A esperança realmente bíblica para os mortos é a ressurreição — hebraico: tehhi·yáth ham·me·thím, ou “revivificação dos mortos”.
Ao passo que essa conclusão talvez surpreenda até mesmo muitos judeus, a ressurreição tem sido a esperança real de adoradores do verdadeiro Deus por milhares de anos. Uns 3.500 anos atrás, o fiel e sofredor Jó falou de um tempo futuro em que Deus o levantaria do Seol, ou sepultura. (Jó 14:14, 15) O profeta Daniel também recebeu a garantia de que seria levantado “no fim dos dias”. — Daniel 12:2, 12 (13, JP; NM).
Não há base nas Escrituras para se dizer que aqueles fiéis hebreus criam ter uma alma imortal que sobreviveria para um outro mundo. Eles claramente tinham suficientes motivos para crer que o Soberano Senhor, que conta e controla as estrelas do universo, lembrar-se-ia também deles na época da ressurreição. Haviam sido fiéis para com Ele e Seu nome. Ele lhes seria fiel. — Salmo 18:26 (25, NM); 147:4; Isaías 25:7, 8; 40:25, 26.
O Judaísmo e o Nome de Deus
O judaísmo ensina que, ao passo que o nome de Deus existe em forma escrita, é sagrado demais para ser pronunciado. O resultado foi que, no decurso dos últimos 2.000 anos, perdeu-se a pronúncia correta. Todavia, esta nem sempre foi a posição judaica. Uns 3.500 anos atrás, Deus falou a Moisés, dizendo: “Assim dirás aos israelitas: O SENHOR [hebraico: יהוה, YHWH], o Deus de vossos antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, enviou-me a vós: Este será Meu nome para sempre, esta Minha designação por toda a eternidade.” (Êxodo 3:15; Salmo 135:13) Qual era esse nome e designação? A nota de rodapé na Tanakh diz: “O nome YHWH (tradicionalmente lido Adonai “o SENHOR”) tem ligação aqui com a raiz hayah, ‘ser’.” Assim, temos aqui o sagrado nome de Deus, o Tetragrama, as quatro consoantes hebraicas YHWH (Yahweh) que, na sua forma latinizada, vieram a ser conhecidas ao longo dos séculos em português como JEOVÁ (JEHOVAH).
No decorrer da história, os judeus sempre deram grande importância ao nome pessoal de Deus, embora a ênfase no uso tenha mudado drasticamente desde os tempos antigos. Como diz o Dr. A. Cohen em Everyman’s Talmud (O Talmude de Todos): “Reverência especial [era] atribuída ao ‘Nome distintivo’ (Shem Hamephorash) da Deidade que Ele revelara ao povo de Israel, a saber, o tetragrama, JHVH.” O nome divino era reverenciado porque representava e caracterizava a própria pessoa de Deus. Afinal, foi o próprio Deus quem anunciou seu nome e disse a seus adoradores que o usassem. Isto é enfatizado pelo fato de o nome aparecer na Bíblia Hebraica 6.828 vezes. Judeus devotos, porém, acham ser desrespeitoso pronunciar o nome pessoal de Deus.
A respeito da antiga injunção rabínica (não bíblica) contra pronunciar o nome, A. Marmorstein, um rabino, escreveu em seu livro The Old Rabbinic Doctrine of God (A Antiga Doutrina Rabínica Sobre Deus): “Houve tempo em que essa proibição [de usar o nome divino] era inteiramente desconhecida entre os judeus . . . Nem no Egito, tampouco em Babilônia, os judeus conheciam ou guardavam uma lei que proibisse o uso do nome de Deus, o Tetragrama, na conversação comum ou nos cumprimentos. Todavia, do terceiro século AEC até o terceiro século DEC tal proibição existia e era parcialmente observada.” Não apenas se permitia o uso do nome em tempos anteriores, mas, como diz o Dr. Cohen: “Houve um tempo em que o livre e aberto uso do Nome, mesmo pelo leigo, era defendido . . . Tem-se sugerido que a recomendação baseava-se no desejo de distinguir o israelita do [não-judeu].”
O que foi, então, que causou a proibição do uso do nome divino? O Dr. Marmorstein responde: “A oposição helenística [de influência grega] à religião dos judeus, a apostasia dos sacerdotes e dos nobres, introduziram e estabeleceram a norma de não pronunciar o Tetragrama no Santuário [templo em Jerusalém].” Em seu excessivo zelo de evitar tomar o nome divino em vão, eles suprimiram completamente o seu uso na conversação e subverteram e diluíram a identificação do Deus verdadeiro. Sob a combinada pressão de oposição e apostasia religiosas, o nome divino caiu em desuso entre os judeus.
Contudo, como diz o Dr. Cohen: “No período bíblico parece não ter havido escrúpulo algum contra o uso [do nome divino] na linguagem cotidiana.” O patriarca Abraão “invocou o SENHOR por nome”. (Gênesis 12:8) A maioria dos escritores da Bíblia hebraica, liberal, mas respeitosamente, usou o nome, até a escrita de Malaquias, no quinto século AEC. — Rute 1:8, 9, 17.
É bastante claro que os antigos hebreus efetivamente usavam e pronunciavam o nome divino. Marmorstein admite a respeito da mudança ocorrida mais tarde: “Pois neste tempo, na primeira metade do terceiro século [AEC], nota-se uma grande mudança no uso do nome de Deus, que provocou muitas mudanças na doutrina teológica e filosófica judaica, cujas influências se fazem sentir até os dias de hoje.” Um dos efeitos da perda do nome é que o conceito de um Deus anônimo ajudou a criar um vácuo teológico no qual a doutrina da Trindade, da cristandade, se desenvolveu com mais facilidade. — Êxodo 15:1-3.
A recusa de usar o nome divino enfraquece a adoração do Deus verdadeiro. Como disse certo comentarista: “Infelizmente, quando se refere a Deus como ‘o Senhor’, a expressão, embora correta, é fria e sem graça . . . Deve-se lembrar que, ao se traduzir YHWH ou Adonai por ‘o Senhor’, está-se introduzindo em muitas passagens do Velho Testamento um toque de abstração, de formalidade e de vagueza inteiramente estranho ao texto original.” (O Conhecimento de Deus no Antigo Israel [em inglês]) Quão triste é ver o sublime e significativo nome Yahweh, ou Jeová, omitido em muitas traduções da Bíblia, considerando que ele aparece claramente milhares de vezes no texto hebraico original! — Isaías 43:10-12.
Os Judeus Ainda Aguardam o Messias?Há muitas profecias nas Escrituras Hebraicas das quais os judeus de há mais de 2.000 anos derivaram a sua esperança messiânica. Segundo Samuel 7:11-16 indicava que o Messias seria da linhagem de Davi. Isaías 11:1-10 profetizou que ele traria justiça e paz a toda a humanidade. Daniel 9:24-27 forneceu a cronologia para o surgimento do Messias e ser ele decepado na morte.
Como explica a Enciclopédia Judaica, por volta do primeiro século, as expectativas messiânicas eram intensas. Esperava-se que o Messias fosse “um carismático descendente de Davi, que os judeus do período romano acreditavam seria suscitado por Deus para quebrar o jugo dos pagãos e reinar sobre um restaurado reino de Israel”. Mas, o militante Messias que os judeus esperavam não apareceu.
Não obstante, como diz a Nova Enciclopédia Britânica, a esperança messiânica era vital para manter o povo judeu unido através de suas muitas provações: “O judaísmo indubitavelmente deve a sua sobrevivência, em grande parte, à sua firme fé na promessa messiânica e no futuro.” Mas, com o surgimento do moderno judaísmo entre os séculos 18 e 19, muitos judeus deixaram de esperar passivamente por um Messias. Por fim, com o Holocausto de inspiração nazista, muitos perderam a paciência e a esperança. Passaram a encarar a mensagem messiânica como fator negativo e, portanto, reinterpretaram-na meramente como nova era de prosperidade e paz. Desde então, embora haja exceções, dificilmente se pode dizer que os judeus, como um todo, aguardem um Messias pessoal.
Esta mudança para uma religião não-messiânica suscita graves perguntas. Estava o judaísmo errado por milhares de anos em crer que o Messias seria um indivíduo? Que forma de judaísmo ajudará a pessoa na sua busca de Deus? Seria o judaísmo antigo, com seus adornos de filosofia grega? Ou uma das formas de judaísmo não-messiânico que se desenvolveram nos últimos 200 anos? Ou existe ainda outro caminho que, fiel e corretamente, preserva a esperança messiânica?Com estas perguntas em mente, sugerimos que os judeus sinceros reexaminem o assunto do Messias por investigarem as afirmações a respeito de Jesus de Nazaré, não como a cristandade o tem representado, mas sim como os escritores judeus das Escrituras Gregas o apresentaram. Existe uma grande diferença. As religiões da cristandade têm contribuído para que os judeus rejeitassem a Jesus, por causa da sua não-bíblica doutrina da Trindade, claramente inaceitável para qualquer judeu que preza o ensinamento puro de que “O SENHOR NOSSO DEUS, O SENHOR É UM SÓ”. (Deuteronômio 6:4, JP) Por conseguinte, convidamo-lo a ler o capítulo seguinte com mente aberta, a fim de conhecer o Jesus das Escrituras Gregas.

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