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terça-feira, 19 de abril de 2016

Morto pela ditadura militar, artista tem obras expostas em SP

A exposição "Antonio Benetazzo, Permanências do Sensível" reúne cerca de 90 desenhos do artista e militante político assassinado pela ditadura militar brasileira, em 1972. A mostra, que é inédita, traz obras desconhecidas até pouco tempo, que estavam guardadas na casa de amigos a parentes do artista, além de apresentar objetos pessoais e documentos de origem biográfica. 

Entre as obras, estão desenhos produzidos em 1971, quando o artista esteve na clandestinidade, além de alguns estudos e cópias do jornal Imprensa Popular ¿ publicação oficial do Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), redigido por Benetazzo. O curador Reinaldo Cardenuto disse à reportagem da Agência Brasil que a exposição tem duas dimensões na sociedade. 
"Primeiro é a dimensão de resgatar uma memória que foi soterrada pela violência do regime militar. A primeira dimensão do projeto era finalmente tornar pública a biografia do Benetazzo, que foi alguém que teve uma participação muito intensa na resistência à ditadura, e, ao resgatar a biografia, resgatar essa obra que é de muita qualidade", disse. Segundo o curador, a obra do artista tem sofisticação estética e também uma identidade estética muito singular. 
"A segunda questão tem uma perspectiva mais política, porque se trata de trazer para o espaço público uma violência autoritária que não pode se repetir", avaliou. A ditadura impediu a produção e circulação de obras críticas contra o regime, como ocorreu com Benetazzo. Além de inserir o artista na história da arte do país, um dos objetivos é incentivar os visitantes a refletir sobre o regime autoritário. 
Uma das fases mais intensas da trajetória artística de Benetazzo foi a segunda metade da década de 1960, quando produziu mais de 150 obras, com técnicas, estilos e motivos variados. Nessa época, ele produziu autorretratos, retratos de familiares e de amigos, representações do corpo e da sexualidade feminina, abstrações com cores vibrantes, colagens pop a partir de material publicitário e nanquins, em diálogo com a estética visual dos ideogramas. O artista dedicou-se também à fotografia, registrando vistas da cidade de Caraguatatuba, detalhes da arquitetura paulistana, cliques de banners espalhados por São Paulo e retratos de pessoas na rua. 
Junto às suas atividades artísticas, Benetazzo ampliou o engajamento político. A partir de 1965, rompeu com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), por ser contra a linha pacifista e institucional de resistência aos militares adotada pelo partido, e aproximou-se da luta armada contra a ditadura. 
Em 1969, entrou na clandestinidade, ainda militando pela Aliança Libertadora Nacional (ALN), e mudou-se para Cuba, onde teve treinamento de guerrilha. Fora do país, ele ajudou a fundar um novo grupo de esquerda, o Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), que, a partir de 1971, fez várias ações revolucionárias em luta contra o regime militar. 
Benetazzo voltou secretamente ao Brasil na segunda metade de 1971 e continuou atuando na clandestinidade, ajudando a desenvolver ações políticas pelo MOLIPO. No decorrer de 1972, redigiu textos do "Imprensa Popular", jornal oficial do movimento, no qual denunciava a ditadura e defendia a luta armada como projeto de resistência contra o regime. Benetazzo foi capturado por agentes da repressão no dia 28 de outubro de 1972 e dois dias depois foi brutalmente assassinado a pedradas, no Sítio 31 de Março, em Parelheiros. 
A exposição fica em cartaz de 22 de abril, quando o espaço de exposição do Centro Cultural São Paulo será reaberto após período de obras, até 29 de maio, com entrada gratuita. Os horários de funcionamento são: de terça a sexta, das 10h às 20h; e sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. (Agência Brasil)

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