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sábado, 23 de abril de 2016

Ato da UJS emociona ao relembrar torturados pela ditadura - Portal Vermelho

“Mais Dilma, menos machismo”. Esse foi o grito que ecoou pelo Memorial da Resistência de São Paulo, na tarde de quarta-feira (20), pelos jovens da UJS (União da Juventude Socialista). No local funcionava o Deops (Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo), local onde aconteciam as torturas em São Paulo.

 Maria das Neves entrega flores a Vital Nolasco, uma das vítimas do torturador Ustra
Em um ato cheio de emoção, a UJS, com o apoio de outros movimentos, como o Unegro, mostrou o seu repúdio contra o deputado Jair Bolsonaro, que durante seu voto aprovando o impeachment da presidente Dilma, no último domingo (17/04), enalteceu a tortura praticada pelo Coronel Ustra durante a ditadura.
 
“Nunca mais queremos ouvir essas palavras de ódio e descaso contra aqueles que tiveram peito e coragem de resistir naquele período tão sombrio que foi 1964. A nossa Presidente quase deu a vida naquele período e se precisar nós daremos a nossa para defender a democracia”, reforçou a representante da UJS.
 
Além disso, a juventude transmitiu sua mensagem de total apoio e empatia por Dilma, que já foi vítima de um golpe durante o regime militar e hoje sofre outro. Pra Fernando Garcia, representante da Fundação Maurício Grabois, apesar deste ser um momento triste para a história do país, também é um momento feliz, porque são nos momentos de contradição que usamos a força dos movimentos sociais para lutar contra todo um sistema.
 
Durante o ato, o ex-preso político e também torturado por Ustra, Vital Nolasco emocionou o público com seu discurso. “Quando eu ouvi Jair Bolsonaro falar com tanta alegria do meu torturador, eu revivi toda a dor que senti naqueles dias de DOI-CODI. Não é brincadeira o que ele fez, não é engraçado e muito menos respeitoso. Eu fui violado, mais uma vez, pelos ditos representantes do nosso país.”
 
A secretária estadual da Unegro, Erlane Ferreira, lembrou também das negras e negros esquecidos pela oposição. “Aquilo tudo que aconteceu domingo é uma total intolerância religiosa, é uma afronta às negras e à religião africana. Quando a deputada, Tia Eron, falou em alto e bom som que era a representante das mulheres negras e nordestinas e por isso apoiaria o impeachment, eu fiquei desgostosa. Nós não queremos a Dilma fora, nós queremos ela é muito do nosso lado, governando nosso Brasil”, declarou.
 
No final do manifesto, a UJS relembrou também das mulheres do Uruguaia e das mães de maio de 2006. “A anistia dada para ambos os lados permite que a PM faça o que bem entender, inclusive assassinar a sangue frio nossos jovens, muitas vezes periféricos e negros. Se a gente pensa que a tortura acabou junto com a ditadura, estamos completamente enganados”, completou Fernando Garcia.
 
Flores também foram dedicadas à Presidente e colocadas dentro da cela que ela foi torturada, em sinal de apoio, força e resistência da juventude brasileira.
 

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