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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Morro da Conceição

Outro dia, um amigo, "carioca da gema" mas "exilado" em Brasília há quase trinta anos, me mandou um e-mail perguntando se eu conhecia, aqui no Rio, a Ladeira do João Homem. Ele havia lido um artigo sobre ruas de nomes curiosos num jornal da capital e não estava conseguindo localizá-la na geografia da sua memória, no Rio de Janeiro da sua infância e adolescência.
Engraçado como poucos cariocas conhecem realmente sua cidade, pensei imediatamente. Mas, em seguida, reconsiderei. O fato é que o Rio, essa cidade tão famosa e desejada, guarda, bem escondidos, alguns segredos. Poucos são aqueles que, num golpe de sorte ou numa procura curiosa e incessante por sua própria identidade, descobrem áreas "nunca dantes navegadas".
Ladeira João Homem
A Ladeira do João Homem (Capitão de Milícia João Homem da Costa, punido, em 1763, pelo Vice-Rei Conde da Cunha por apresentar-se no regimento, uma manhã, após chamado urgente, vestido de camisolão - a punição foi trabalhar assim vestido durante todo o dia) fica no Morro da Conceição, junto com outras ruas de nomes inesperados: Rua do Jogo da Bola (por causa do jogo de bocha), Ladeira do Escorrega, Travessa do Sereno, entre outras.
Largo da Conceição
Antes chamado Morro dos Caieiros (caiadores), o Morro da Conceição situa-se na área da Praça Mauá, no Centro do Rio de Janeiro. Sua história começa quando Manoel de Brito, sesmeiro da área do atual morro de São Bento, permite que um parente seu, chamado Aleixo Manoel, construa, naquela área, uma pequena ermida dedicada a Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal, lá pelos idos de 1582. Quando, pouco mais tarde, em 1590, Manoel de Brito doa o morro para os Beneditinos, a capela é derrubada para o início da construção do Mosteiro de São Bento. Mas como naquela época uma igreja não podia ser, simplesmente, derrubada, a ermida é transferida para o morro em frente, que passa a se chamar Morro da Conceição.
Morro bem atípico no Rio, pois não há favela, é um bairro residencial localizado no centro da Cidade. Lá moram, até hoje, em sua maioria, os descendentes dos seus primeiros ocupantes portugueses. As casas mostram, ainda, nas fachadas, as seguintes incrições: "Vila, Miguel" ou "Vila, Francisco" ou "Vila, Paulo". A palavra "Vila" para informar que naquela casa morava toda uma família (pais, filhos, netos, tios, sobrinhos etc ) e o nome depois da vírgula para indicar o santo padroeiro dos que ali residiam.
Antigo Palácio Episcopal
O antigo Palácio Episcopal situa-se bem no alto do morro. Construído para abrigar um convento dos Capuchinhos franceses (expulsos do Brasil, por questões políticas, em 1701), foi reformado pelo bispo D. Francisco de São Jerônimo que se agradou do local por sua linda vista da baía e para lá se mudou. Ao seu lado ergueu-se a Fortaleza da Conceição, após as invasões de Duclerc (1710) e de Dugay-Trouin, que "sequestrou" a cidade em 1711.
Fortaleza da Conceição
Situada em local estratégico, em terras da Igreja, sua finalidade era defender a cidade de futuras invasões. Mas os primeiros exercícios de tiros da fortaleza fizeram quebrar alguns cristais na casa de seu ilustre vizinho e assim, o bispo proibiu a fortaleza de atirar. Em suas masmorras estiveram presos Thomás Antônio Gonzaga, José Alves Maciel e Domingos Vidal, inconfidentes degredados para a África. Hoje a antiga fortaleza abriga o Serviço Geográfico do Ministério do Exército.
Pedra do Sal
Entre os locais que contam um pouco da história da Cidade, há, aqui, um bem especial: a Pedra do Sal, situada no final da rua do Jogo da Bola. O mar vinha até ali e, junto aos degraus cavados em uma grande pedra, era descarregado o sal que vinha da Europa, na época colonial. Ponto de encontro de sambistas e boêmios, na Pedra se reuniam Heitor dos Prazeres, João da Baiana, Donga, entre outros, nas rodas de samba tão famosas até os dias de hoje.
Igreja São Francisco da Prainha
Mas a jóia mais preciosa, encravada neste morro é, sem dúvida, a Igreja de São Francisco da Prainha (porque o mar vinha até o pé do morro e, em frente à igreja, havia uma pequena praia), pertencente à Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. Construída no início dos 1600, foi incendiada pelo governador da cidade na invasão de Dugay-Trouin para evitar que os franceses tomassem o morro. Reconstruída em 1738, é raramente aberta ao público e está necessitando de restauração.


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