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O SHOW DO COMÉRCIO DO CAMPINARTE

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A história das Religiões (Mais um trabalho de pesquisa da equipe Campinarte dirigida por Huayrãn Ribeiro que será apresentado em capítulos

Religião — como começou?
(Parte 1)

A HISTÓRIA da religião é tão antiga como a história do próprio homem. É isto o que nos dizem os arqueólogos e os antropólogos. Mesmo entre as civilizações mais “primitivas”, querendo-se com isso dizer as civilizações não desenvolvidas, há evidências de algum tipo de adoração. De fato, The New Encyclopedia Britannica (Nova Enciclopédia Britânica) diz que “até onde os peritos conseguiram descobrir, jamais existiu um povo, em qualquer parte, em qualquer tempo, que não fosse de algum modo religioso”.
Além de sua antiguidade, há também grande variedade na religião. Os caçadores de cabeças nas selvas do Bornéu, os esquimós no gelado Ártico, os nômades no deserto do Saara, os habitantes das grandes metrópoles do mundo — todo povo e toda nação na terra têm seu deus ou deuses e seu modo próprio de adoração. A diversidade de religião é realmente atordoante.
Logicamente, surgem perguntas. De onde se originaram todas essas religiões? Visto que existem notáveis diferenças entre elas, bem como similaridades, será que elas começaram independentemente, ou poderiam ter-se desenvolvido de uma única fonte? Deveras, podemos perguntar: Por que surgiu a religião? E como? As respostas a estas perguntas são de importância vital para todos os que se interessam em encontrar a verdade a respeito de religião e crenças religiosas.

A Questão da Origem
Quando se trata da questão da origem, pessoas de diferentes religiões pensam em nomes tais como Maomé, o Buda, Confúcio, e Jesus. Em quase toda religião existe uma figura central a quem se dá o crédito de ter estabelecido a ‘verdadeira fé’. Alguns destes eram reformadores iconoclastas. Outros eram filósofos moralísticos. Ainda outros eram altruístas heróis populares. Muitos deles deixaram escritos e dizeres que formaram a base de uma nova religião. Com o tempo, aquilo que disseram e fizeram foi ampliado, floreado, e se lhe conferiu uma aura mística. Alguns destes líderes foram até mesmo deificados.
Embora estes indivíduos sejam tidos como fundadores das principais religiões conhecidas, deve-se dizer que eles realmente não deram origem à religião. Na maioria dos casos, seus ensinos nasceram de conceitos religiosos já existentes, ainda que a maioria destes fundadores afirmasse que tiveram como fonte a inspiração divina. Ou, então, eles mudaram e alteraram sistemas religiosos existentes que, de uma ou de outra maneira, se haviam tornado insatisfatórios.
Por exemplo, segundo o que diz a história, o Buda havia sido um príncipe que se estarrecia diante do sofrimento e das condições deploráveis que via ao seu redor, numa sociedade dominada pelo hinduísmo. O budismo foi o resultado de sua busca de uma solução para os aflitivos problemas da vida. Similarmente, Maomé sentia-se muito consternado diante da idolatria e da imoralidade que observava nas práticas religiosas ao seu redor. Mais tarde afirmou ter recebido revelações especiais de Deus, que formaram o Qur’ān (Alcorão) e se tornaram a base de um novo movimento religioso, o Islã. O protestantismo nasceu do catolicismo, em resultado da Reforma que começou no início do século 16, quando Martinho Lutero protestou contra a venda de indulgências pela Igreja Católica naquele tempo.
Assim, no que tange às religiões hoje existentes, não há falta de informações sobre sua origem e desenvolvimento, seus fundadores, seus escritos sagrados, e assim por diante. Mas, que dizer das religiões que existiram antes delas? E daquelas até mesmo anteriores a essas? Se recuarmos o suficiente na história, mais cedo ou mais tarde nos confrontaremos com a pergunta: Como começou a religião? Obviamente, para encontrarmos a resposta a esta pergunta, temos de olhar além dos limites de cada religião individualmente.

Muitas Teorias
O estudo da origem e do desenvolvimento da religião é um campo relativamente novo. Por séculos, as pessoas de modo geral aceitavam as tradições religiosas que herdaram, e segundo as quais foram criadas. A maioria se sentia satisfeita com as explicações que lhes eram legadas por seus antepassados, achando que a sua religião era a verdade. Raramente havia razão para questionar algo, tampouco a necessidade de investigar como, quando ou por que as coisas começaram. De fato, por séculos, com limitados meios de locomoção e comunicação, poucas pessoas sequer sabiam da existência de outros sistemas religiosos.
Durante o século 19, porém, o quadro começou a mudar. A teoria da evolução empolgava os círculos intelectuais. Isto, junto com o advento da inquirição científica, levou muitos a questionar os sistemas estabelecidos, incluindo a religião. Reconhecendo as limitações quanto a procurar pistas dentro da religião existente, alguns estudiosos voltaram-se para os vestígios de primitivas civilizações, ou para cantos remotos do mundo onde as pessoas ainda viviam em sociedades primitivas. Tentaram aplicar a tais os métodos da psicologia, sociologia, antropologia, e assim por diante, esperando descobrir uma pista quanto a como a religião começou, e por quê.
Com que resultado? Subitamente, irromperam em cena muitas teorias — aparentemente tantas quanto o número de investigadores — cada investigador contrariando o outro, e cada qual se empenhando em sobrepujar o outro em ousadia e originalidade. Alguns destes pesquisadores chegaram a conclusões importantes; o trabalho de outros simplesmente caiu no esquecimento. É tanto instrutivo como esclarecedor obtermos uma breve visão dos resultados dessas pesquisas. Isto nos ajudará a entendermos melhor as atitudes religiosas das pessoas com as quais entramos em contato.
Uma teoria, em geral chamada de animismo, foi proposta pelo antropólogo inglês Edward Tylor (1832-1917). Ele sugeriu que experiências tais como sonhos, visões, alucinações e o estado inerte de cadáveres levaram os povos primitivos a concluir que o corpo é habitado por uma alma (latim: anima). Segundo esta teoria, visto que eram freqüentes os sonhos com entes queridos falecidos, presumia-se que uma alma continuava a viver após a morte, que deixava o corpo e morava em árvores, rochas, rios, e assim por diante. Por fim, os mortos e os objetos nos quais se dizia que as almas habitavam vieram a ser adorados como deuses. E assim, disse Tylor, nasceu a religião.
Outro antropólogo inglês, R. R. Marett (1866-1943) propôs um aprimoramento do animismo, que chamou de animatismo. Depois de estudar as crenças dos melanésios das ilhas do Pacífico, e dos nativos da África e da América, Marett concluiu que, em vez de terem a noção de uma alma pessoal, os povos primitivos criam que existia uma força impessoal ou poder sobrenatural que dava vida a todas as coisas; tal crença provocou sentimentos de reverência e temor no homem, o que se tornou a base para sua primitiva religião. Para Marett, a religião era principalmente a reação emocional do homem diante do desconhecido. Sua declaração preferida era a de que religião “é menos uma questão de razão do que de danças ritualísticas”.
Em 1890, um especialista escocês em folclore antigo, James Frazer (1854-1941), publicou o influente livro The Golden Bough (O Ramo Dourado), no qual argumenta que a religião surgiu da magia. Segundo Frazer, o homem tentou primeiro controlar a sua própria vida e o seu meio por imitar o que via acontecer na natureza. Por exemplo, ele pensava que poderia provocar chuva por borrifar água no solo junto com trovejantes batidas de tambor, ou que poderia causar dano a seu inimigo por espetar alfinetes numa efígie. Isto levou ao uso de ritos, feitiços e objetos mágicos em muitos aspectos da vida. Quando estes não funcionaram como se esperava, o homem passou então a tentar aplacar os poderes sobrenaturais e a suplicar a ajuda deles, em vez de tentar controlá-los. Os rituais e magias viraram sacrifícios e orações e, assim, começou a religião. Segundo Frazer, religião é “a propiciação ou conciliação de poderes superiores ao homem”.
Até mesmo o famoso psicanalista austríaco Sigmund Freud (1856-1939), em seu livro Totem and Taboo (Totem e Tabu), tentou explicar a origem da religião. Fiel à sua profissão, Freud explicou que a mais primitiva religião surgiu do que chamou de neurose ligada à figura do pai. Teorizou que, como se dava no caso de cavalos e gado selvagens, na sociedade primitiva o pai dominava o clã. Os filhos homens, que tanto odiavam como admiravam o pai, rebelavam-se e matavam o pai. Para adquirir o poder do pai, afirmava Freud, ‘estes selvagens canibalistas comiam a sua vítima’. Mais tarde, por causa do remorso, eles inventaram ritos e cerimônias para reparar a sua ação. Segundo a teoria de Freud, a figura do pai virou Deus, os ritos e as cerimônias passaram a ser a mais primitiva religião, e comer o pai assassinado passou a ser a comunhão, tradição praticada em muitas religiões.
Poderiam ser citadas numerosas outras teorias que são tentativas de explicar a origem da religião. A maioria delas, porém, foi esquecida, e nenhuma realmente se destacou como sendo mais crível e aceitável do que as outras. Por quê? Simplesmente porque nunca existiu uma evidência histórica ou prova de que tais teorias fossem verídicas. Eram puramente produtos da imaginação ou conjectura de algum investigador, que logo eram substituídos pela conjectura seguinte.

Um Fundamento Falho
Depois de anos se debatendo com o assunto, muitos agora chegaram à conclusão de que é muito improvável que se encontre uma solução definitiva para a pergunta sobre como a religião começou. Em primeiro lugar, isto se dá porque os ossos e outros vestígios de povos antigos não nos dizem o que essas pessoas pensavam, o que temiam, ou por que adoravam. Quaisquer conclusões tiradas à base dessas relíquias são, quando muito, especulações eruditas. Ademais, as práticas religiosas dos atuais chamados povos primitivos, tais como os aborígines australianos, não são necessariamente um confiável padrão para avaliar o que as pessoas dos tempos antigos faziam ou pensavam. Ninguém sabe ao certo se ou como a cultura deles mudou ao longo dos séculos.
Por causa de todas as incertezas, o livro Religiões do Mundo — da História Antiga ao Presente (em inglês) conclui que “os modernos historiadores de religião sabem que é impossível chegar às origens da religião”. A respeito dos empenhos de historiadores, porém, o livro faz a seguinte observação: “No passado, a preocupação de demasiado número de teóricos não era simplesmente descrever ou explicar a religião, mas sim, invalidá-la, achando que, se ficasse demonstrado que as primitivas formas se baseavam em ilusões, então, as religiões posteriores e mais desenvolvidas poderiam ser minadas.”
Neste último comentário encontra-se a chave quanto a por que vários investigadores “científicos” da origem da religião não apareceram com alguma explicação sustentável. Diz-nos a lógica que uma conclusão correta só se pode deduzir de uma premissa correta. Caso se inicie com uma premissa falha, é improvável que se chegue a uma conclusão sólida. O repetido fracasso dos investigadores “científicos” de chegar a uma explicação razoável lança sérias dúvidas sobre a premissa na qual eles baseiam os seus conceitos. Por seguirem seu conceito preconcebido, em seus empenhos de ‘invalidar a religião’, eles têm tentado invalidar a Deus.
A situação é comparável às muitas maneiras pelas quais os astrônomos antes do século 16 tentavam explicar o movimento dos planetas. Havia muitas teorias, mas nenhuma delas era realmente satisfatória. Por quê? Porque se baseavam na suposição de que a terra era o centro do universo, ao redor do qual as estrelas e os planetas giravam. Não se fez real progresso até que os cientistas — e a Igreja Católica — estivessem dispostos a aceitar o fato de que a terra não é o centro do universo, mas sim que gira em volta do sol, o centro do sistema solar. O fracasso das muitas teorias em explicar os fatos levou pessoas de mentalidade aberta, não a tentarem aventar novas teorias, mas sim a reexaminar a premissa de suas investigações. E isto levou ao êxito.
Pode-se aplicar o mesmo princípio à investigação da origem da religião. Por causa do aumento do ateísmo e da ampla aceitação da teoria da evolução, muitos pressupõem que Deus não existe. Baseados nessa suposição, eles acham que a explicação para a existência da religião deve ser encontrada no próprio homem — em seus processos de raciocínio, suas necessidades, seus temores, suas “neuroses”. Voltaire declarou: “Se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo.” Assim, eles argumentam que o homem inventou a Deus.
Visto que as muitas teorias fracassaram em prover uma resposta realmente satisfatória, não é agora tempo de reexaminar a premissa sobre a qual estas investigações se basearam? Em vez de infrutiferamente insistir no mesmo procedimento, não seria lógico recorrer a outra parte em busca da resposta? Se nos dispusermos a ter uma mentalidade aberta, concordaremos que fazer isso é tanto razoável como científico. E temos um exemplo bem ilustrativo, que nos ajuda a ver a lógica por trás deste proceder.

Uma Inquirição Antiga
No primeiro século de nossa Era Comum, Atenas, na Grécia, era um proeminente centro de aprendizado. Entre os atenienses, porém, havia diversas escolas de pensamento, tais como os epicureus e os estóicos, cada qual com seus próprios conceitos a respeito dos deuses. Com base nestes vários conceitos, veneravam-se muitas deidades, e desenvolveram-se diferentes maneiras de adoração. Em resultado, a cidade estava repleta de ídolos e de templos de fabricação humana. — Atos 17:16.
Por volta do ano 50 EC, o apóstolo cristão Paulo visitou Atenas e apresentou aos atenienses um ponto de vista totalmente diferente. Ele lhes disse: “O Deus que fez o mundo e todas as coisas nele, sendo, como Este é, Senhor do céu e da terra, não mora em templos feitos por mãos, nem é assistido por mãos humanas, como se necessitasse de alguma coisa, porque ele mesmo dá a todos vida, e fôlego, e todas as coisas.” — Atos 17:24, 25.
Em outras palavras, Paulo dizia aos atenienses que o verdadeiro Deus, que “fez o mundo e todas as coisas nele”, não é produto da imaginação do homem, tampouco é ele servido através de meios que o homem possa conceber. A religião verdadeira não é mero esforço unilateral da parte do homem no sentido de tentar suprir uma determinada necessidade psicológica ou debelar um certo temor. Em vez disso, visto que o verdadeiro Deus é o Criador, que deu ao homem a capacidade de raciocínio e a faculdade da razão, é somente lógico que Ele provesse um meio de o homem vir a entrar numa relação satisfatória com ele. Isto, segundo Paulo, foi exatamente o que Deus fez. “Ele fez de um só homem toda nação dos homens, para morarem sobre a superfície inteira da terra, . . . para buscarem a Deus, se tateassem por ele e realmente o achassem, embora, de fato, não esteja longe de cada um de nós.” — Atos 17:26, 27.
Note o ponto-chave de Paulo: Deus “fez de um só homem toda nação dos homens”. Embora existam hoje muitas ‘nações de homens’ em todos os cantos da terra, os cientistas sabem que, deveras, toda a humanidade descende de um mesmo tronco. Este conceito é de grande importância, pois, quando falamos de todos os seres humanos serem de um mesmo tronco, isso significa muito mais do que serem eles apenas biológica e geneticamente aparentados. Estão aparentados também em outros aspectos.
Note, por exemplo, o que o livro Story of the World’s Worship (História da Adoração do Mundo) diz a respeito dos idiomas da humanidade. “Aqueles que estudaram os idiomas do mundo e os compararam entre si, têm algo a dizer, que é o seguinte: Todos os idiomas podem ser agrupados em famílias ou classes de linguagem, e vê-se que todas estas famílias iniciaram de uma fonte única.” Em outras palavras, os idiomas do mundo não se originaram separada e independentemente, como os evolucionistas nos fariam crer. Eles teorizam que os homens que habitavam cavernas na África, na Europa e na Ásia começaram com grunhidos e rosnados e, assim, acabaram desenvolvendo as suas próprias linguagens. Mas, não foi assim. A evidência é que estas “iniciaram de uma fonte única”.
Se isto é assim em algo tão pessoal e tão singularmente humano como a linguagem, então, não seria razoável pensar que os conceitos do homem a respeito de Deus e de religião também devem ter-se iniciado de uma única fonte? Afinal, religião se relaciona com raciocínio, e o raciocínio se relaciona com a habilidade do homem de usar a linguagem. O caso não é que todas as religiões realmente tenham surgido de uma única religião, mas sim que as idéias e os conceitos devem ser atribuíveis a alguma fonte ou reservatório único de idéias religiosas. Existe evidência para apoiar isso? E se, realmente, as religiões da humanidade de fato se originaram de uma mesma fonte, qual seria esta? Como podemos saber?
Diferentes, Porém Similares
Podemos chegar à resposta usando o mesmo método que os peritos em lingüística usaram na obtenção de suas respostas sobre a origem da linguagem. Por comparar e notar as suas similaridades, o etimólogo pode rastrear as várias línguas até a sua origem. Similarmente, por comparar as religiões, podemos examinar as suas doutrinas, lendas, rituais, cerimônias, instituições, e assim por diante, e verificar se existe algum veio básico de identidade comum e, se existir, ao que este veio nos conduz.
Superficialmente, as muitas religiões atuais parecem muito diferentes umas das outras. Contudo, se as despojarmos das coisas que são meros floreios e adições posteriores, ou se removermos aquelas distinções que são o resultado de clima, língua, condições peculiares de sua terra nativa, e outros fatores, é surpreendente quão similares a maioria delas revela ser.
Por exemplo, a maioria das pessoas acharia que dificilmente poderia haver duas religiões mais diferentes uma da outra do que a Igreja Católica Romana, do Ocidente, e o budismo, do Oriente. Contudo, o que constatamos quando colocamos de lado as diferenças que poderiam ser atribuídas à linguagem e à cultura? Se formos objetivos, teremos de admitir que as duas têm muita coisa em comum. Tanto o catolicismo como o budismo estão impregnados de rituais e cerimônias. Estes incluem o uso de velas, incenso, água benta, rosário, imagens de santos, cantos e livros de oração, até mesmo o sinal da cruz. Ambas as religiões mantêm instituições de monges e freiras e se destacam pelo celibato de sacerdotes, indumentárias especiais, dias santos, comidas especiais. Esta lista de modo algum é exaustiva, mas serve para ilustrar o ponto. A pergunta é: Por que duas religiões que parecem ser tão diferentes têm tantas coisas em comum?
O mesmo resultado esclarecedor que se obteve da comparação dessas duas religiões poderá ser obtido duma comparação entre outras religiões. Ao fazermos isso, descobrimos que certos ensinamentos e crenças são quase universais entre elas. A maioria de nós conhece doutrinas tais como a imortalidade da alma humana, a recompensa celestial para todos os bons, o tormento eterno para os perversos num mundo subterrâneo, o purgatório, um deus trino ou uma divindade de muitos deuses, e uma deusa mãe-de-deus ou rainha do céu. Além destas, porém, há muitas lendas e mitos igualmente comuns. Por exemplo, há lendas a respeito da perda da graça divina que o homem sofreu por causa de sua tentativa ilícita de conseguir a imortalidade, a necessidade de oferecer sacrifícios para expiar pecados, a busca de uma árvore da vida ou fonte da juventude, deuses e semideuses que viveram entre os homens e produziram uma prole sobre-humana, e um dilúvio catastrófico que devastou praticamente toda a humanidade.
O que podemos concluir de tudo isso? Notamos que aqueles que criam nesses mitos e lendas viviam geograficamente longe uns dos outros. A sua cultura e suas tradições eram diferentes e distintas. Os seus costumes sociais não tinham relação entre si. Não obstante, no que concerne às suas religiões, eles criam em idéias tão similares. Embora nem todos esses povos cressem em todas as coisas mencionadas, todos criam em algumas delas. A questão óbvia é: Por quê? É como se existisse um reservatório comum do qual toda religião retirou as suas crenças básicas, algumas mais, outras menos. Com o passar do tempo, esses conceitos básicos foram floreados e modificados, e outros ensinamentos se desenvolveram deles. Mas, o contorno básico é inconfundível.
Logicamente, a similaridade nos conceitos básicos das muitas religiões do mundo é uma forte evidência de que elas não começaram cada qual a seu próprio modo separado e independente. Ao contrário, se recuarmos o suficiente, veremos que seus conceitos devem ter tido uma origem comum. Que origem foi esta?

Uma Primitiva Era de Ouro
Curiosamente, entre as lendas comuns a muitas religiões há uma que diz que a humanidade começou numa era de ouro na qual o homem era inculpe, vivia feliz e pacificamente em íntima comunhão com Deus, e estava isento da doença e da morte. Embora os detalhes talvez difiram, a mesma idéia de um paraíso perfeito que outrora existia se encontra nos escritos e nas lendas de muitas religiões.
O Avesta, o livro sagrado da antiga religião persa zoroastriana, fala do “belo Yima, o bom pastor”, que foi o primeiro mortal com quem Auramazda (o criador) conversou. Ele recebeu instruções de Auramazda “para nutrir, governar e vigiar meu mundo”. Para isso, devia construir “uma Vara”, uma morada subterrânea, para todas as criaturas viventes. Nela não havia “nem despotismo nem ruindade de espírito, nem estupidez nem violência, nem pobreza nem engano, nem mesquinhez nem deformidade, nem dentes enormes nem corpos além do tamanho normal. Os habitantes não sofriam aviltação da parte do espírito mau. Moravam entre árvores odoríficas e pilares dourados; eram os maiores, os melhores e os mais belos da terra; eram uma raça alta e bela.”